Arrepios desconfortáveis e uma sensação estranha
de picadas nas articulações denunciam a sua chegada.

Rapidamente, o mal-estar estende-se a todo o corpo, surge febre alta e sentimos dores musculares, de cabeça, tosse seca, congestão
nasal e, por vezes, olhos inflamados.

Não é nada agradável: trata-se da gripe, uma doença viral que ataca o sistema respiratório. No Inverno,
vários factores facilitam o seu aparecimento e propagação: as temperaturas baixas e a menor incidência de radiação ultravioleta aumentam as hipóteses de sobrevivência do vírus durante o tempo suficiente para poder ser transmitido de um indivíduo infectado para um indivíduo saudável.

Outro factor favorável é o facto de passarmos
muito tempo em espaços fechados cheios de pessoas, como os meios de transporte colectivos, empresas, escolas e creches.

Formas de contágio

Formas de contágio

O vírus transmite-se por partículas da saliva de uma pessoa infectada, expelidas sobretudo através
da respiração, da fala, da tosse e dos espirros. O período de incubação (desde que se é infectado
até que surgem os primeiros sintomas) é, em média, de dois dias, mas pode variar entre um e cinco dias. O período de contágio inicia-se um a dois dias antes do surgimento dos sintomas e até sete dias depois.

De acordo com a Direcção-Geral da Saúde, geralmente a recuperação completa ocorre ao fim de uma ou duas semanas.
No caso dos idosos e pessoas com doenças crónicas, esta tende a ser mais lenta e as complicações
podem ser mais graves.

Como prevenir?

Como prevenir?

A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção da gripe. No entanto, é recomendada apenas a pessoas com idade igual ou superior a 65 anos e a doentes crónicos ou imunodeprimidos, com mais de seis meses de idade. Também os profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados domiciliários
e em instituições devem ser vacinados.

A altura
ideal para tomar a vacina, sob prescrição médica, é Outubro,
embora esta possa ser administrada durante todos os meses do Outono e Inverno.
Não devem vacinar-se as pessoas com alergia à proteina do ovo, nem quem tenha tido uma reacção alérgica grave a uma dose anterior de vacina contra a gripe.

A composição da vacina

De acordo com Helena Rebelo de Andrade, virologista, «a composição da vacina é decidida
tendo em consideração as informações antigénicas, genéticas e de cartografia (relação espacial e temporal das tendências evolutivas dos vírus em análise) das estirpes de vírus da gripe que circulam a nível mundial. Esta informação
virológica é conjugada com os dados clínicos e epidemiológicos sobre a actividade gripal nos diferentes países e nas várias regiões. Após a análise e integração de toda essa informação,
decide-se quais as estirpes virais que, com maior probabilidade, irão conferir imunidade aos indivíduos vacinados contra os vírus da gripe que circulam na população em cada Inverno».

Assim, a vacina da gripe é diferente todos os anos. Se não se inclui no grupo de risco já referido, as medidas de prevenção da gripe passam
por hábitos simples que, idealmente devem
também ser tomados por quem está com gripe e que podem fazer toda a diferença.

Lavar frequentemente as mãos é uma delas. Outra é evitar espirrar ou tossir para o ar, protegendo a boca com um lenço ou com o antebraço.

Se estiver grávida, peça conselho ao seu médico
(e não tome medicamentos sem ser sob a sua supervisão), mas saiba que a Direcção-Geral da Saúde recomenda a vacina para «grávidas que, em Outubro, estejam no segundo ou terceiro
trimestre da gravidez, para protecção de uma eventual evolução grave da doença durante a gravidez e para proteger os seus bebés durante os primeiros meses de vida.»

Texto: Paula Alberty com Helena Rebelo de Andrade (virologista)

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