Apesar de a concepção de um filho ser, aparentemente, um ato natural e intuitivo, não o é para muitos casais que, por algum motivo, sofrem de infertilidade.

A maioria dos casais parte do princípio que é fértil e acredita conseguir conceber logo após a interrupção da contraceção. No entanto, de acordo com a Associação Portuguesa de Infertilidade (API), estima-se que, em Portugal, 15 a 20% dos casais em idade reprodutiva sofram de infertilidade.

Se faz parte destes cerca de 750 mil casais que não conseguem ter filhos, saiba como agir. Número divulgados no final de 2013, situam, contudo, este número entre os 300 mil e os 500 mil casais, apesar dos que não procuram ajuda médica não integrarem estas estatísticas.

O que é?

A infertilidade é definida como a incapacidade de um casal conceber depois de, pelo menos, um ano de relacionamento sexual regular sem qualquer proteção, ainda que o diagnóstico possa ser encontrado mais cedo, no caso de disfunção evidente. Infertilidade não é, contudo, sinónimo de esterilidade (incapacidade definitiva de conceber).

Na verdade, a maioria dos casais que tem dificuldade em engravidar não é estéril, mas apenas infértil ou sub-fértil, isto é, apresenta uma capacidade reduzida de conceber espontaneamente, de forma natural, podendo, contudo, vir a ter filhos através de ajuda médica.

A infertilidade pode ainda manifestar-se apenas após o nascimento do primeiro filho, dificultando a conceção de um segundo ou mais filhos. É a chamada infertilidade secundária.

Quais as suas causas?

As causas mais comuns de infertilidade são disfunções de ovulação e obstrução das trompas de Falópio (na mulher) e anomalias da quantidade, motilidade e forma dos espermatozóides (no homem).

Segundo a API, em 80% dos casais a infertilidade advém de problemas em ambos os parceiros, embora estes sejam, geralmente, mais graves e frequentes na mulher do que no homem.

Em cerca de 10% dos casos, as causas são desconhecidas, sendo eventualmente detetadas no decorrer do tratamento. É a chamada infertilidade idiopática.

Como tratar?

Perante a suspeita de algum problema relacionado com a infertilidade, o primeiro passo é procurar ajuda médica.

Onde?

Nas consultas de infertilidade dos hospitais públicos ou junto de um ginecologista que, eventualmente, poderá enviar o casal para uma clínica privada especializada em reprodução medicamente assistida. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores as possibilidades de conseguir uma gravidez (ainda que nem sempre seja possível).

Existem vários tipos de tratamentos para a infertilidade, quase todos dirigidos à mulher (praticamente não existe tratamento para o factor masculino da infertilidade e, na maior parte dos dos casos, os resultados não são satisfatórios). A escolha das soluções mais indicadas deverá ser feita pelo especialista de ginecologia, em conjunto com o casal, após análise da história clínica e dos exames de diagnóstico de ambos.

Por norma, o processo é iniciado com tratamentos menos invasivos, como a calendarização das relações sexuais, e pode haver lugar a tratamentos médicos ou cirúrgicos.

Se estes tratamentos não resultarem em gravidez, são equacionadas as técnicas de procriação medicamente assistida, como a inseminação intra-uterina (IIU), a fertilização in vitro (FIV), a transferência intra-falopiana de gâmetas (GIFT) ou a injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI), que requerem a toma de medicação hormonal para estimular a produção de óvulos.

Como prevenir?

Atualmente, acredita-se que, para além das anomalias relacionadas com o aparelho reprodutor, e de algumas doenças (cardiovasculares, oncológicas, autoimunes e infeções sexualmente transmissíveis, entre outras), existem fatores associados ao estilo de vida atual que podem interferir na conceção.

Segundo a API, estes estão na origem do aumento da taxa de infertilidade nos países industrializados, como adiamento da idade de conceção, hábitos sedentários, consumo excessivo de gorduras, tabaco, álcool e drogas.

Na origem desse problema está também a exposição aos químicos libertados na atmosfera e utilizados nos produtos alimentares. Por isso, em termos preventivos, ambos os membros do casal devem procurar seguir um estilo de vida saudável, evitando estes fatores de risco.

É também aconselhável que a mulher, em particular, não adie a gravidez, pelo menos a primeira, para além dos 35 anos, uma vez que o seu índice de fecundidade diminui progressivamente a partir dos 33 anos. Para além disso, é importante que a mulher consulte regularmente o ginecologista, para detetar eventuais patologias que possam inviabilizar a gravidez.

Principais causas de infertilidade:

Na mulher

  • Disfunção ovulatória provocada por alterações hormonais, endometriose (presença de mucosa uterina fora do útero) e ovário poliquístico (disfunção ovárica)
  • Obstrução das trompas de falópio, geralmente devido a infeção genital
  • Patologia uterina (fibromiomas e pólipos, entre outros)
  • Tumores malignos
  • Malformações anatómicas

No homem

  • Anomalias nos espermatozóides (redução da quantidade e perda de mobilidade)
  • Criptorquidia (descida incompleta dos testículos para o escroto, uma anomalia congénita muito frequente em Portugal)
  • Lesões do escroto
  • Alterações genéticas
  • Tumores malignos
  • Malformações anatómicas

Os tratamentos mais utilizados:

- Relações sexuais programadas

É o mais básico dos tratamentos para a infertilidade.

Consiste em determinar o momento exacto da ovulação (através de testes à urina ou de ecografia) para programar a altura em que o casal deverá ter relações sexuais.

A taxa de gravidez que se consegue, em média, com este tratamento, é de 14 a 20%.

- Inseminação intra-uterina (IUI)

Consiste em colocar esperma previamente preparado no interior do útero da mulher, através de um pequeno cateter introduzido pelo colo do útero. A taxa de gravidez é de 14 a 20%.

- Fertilização in vitro (FIV)

É a técnica mais usada na procriação medicamente assistida. A fertilização (união do óvulo ao espermatozóide que ocorre naturalmente na trompa) é feita em laboratório, após recolha dos óvulos e do esperma do casal. Depois de fertilizados, os óvulos são transferidos para o útero. A taxa de gravidez é de 20 a 40%.

- Injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI)

Forma de fertilização microcirúrgica assistida que envolve a injeção de um único espermatozoide num ovócito maduro. É particularmente indicada para casais em que o homem apresenta fraca mobilidade e baixa contagem de espermatozoides. A taxa de gravidez é de 20 a 30%.

- Transferência intra-falopiana de gâmetas (FIFT)

Procedimento semelhante à FIV, com a diferença que os óvulos e o esperma são colocados directamente na trompa de falópio com recurso à laparascopia (intervenção cirúrgica na região pélvica), sob anestesia geral, e a fecundação ocorrerá in vivo, isto é, no interior do corpo da mulher. A taxa de gravidez é de cerca de 30%.

Para saber mais:

Associação Portuguesa de Infertilidade
Telefone: 966 141 251
Internet: www.apinfertilidade.org

Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução
Telefone: 961 938 420
Internet:  www.spmr.pt

Texto: Fernanda Soares
Revisão científica: João Silva Carvalho (presidente da Sociedade Portuguesa de Medicina da Reprodução)

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