Cuidemos de quem cuida

Com o aumento da esperança de vida e consequente envelhecimento populacional, aumenta a incidência de doenças crónicas, em particular as degenerativas que, segundo a Organização Mundial de Saúde, representam a segunda doença crónica que contribui para mais anos vividos com incapacidade nas pessoas com mais de 60 anos.
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Os processos demenciais são incapacitantes quer para a pessoa com demência quer para os seus próximos. Em muitos casos, os cuidados necessários e extraordinários à rotina prévia familiar são providos pelos cônjuges ou filhos com um dispêndio significativo do seu tempo, energia e dinheiro por longos períodos de tempo com tarefas fisicamente esgotantes e psicologicamente stressantes.

Este papel de cuidador informal (pessoa que proporciona cuidados e apoio diário ao doente sem receber remuneração económica) vai aumentando de intensidade ao longo do curso da doença. Nos estados mais avançados o cuidador por norma, além de apoio emocional, presta apoio nas atividades de vida diária básicas como a alimentação, sono, excretórias e vestuário e lida com o agravamento de sintomas: humor, alucinações e delírios, desorientação, entre outros.

Os cuidadores sentem-se muitas vezes sem recursos na sua comunidade e ficam sobrecarregados pelas alterações sociais, profissionais e familiares e muitas vezes remetem as suas necessidades para segundo plano o que tem um impacto brutal na sua qualidade de vida e potencia o Burnout: estado psicológico de exaustão emocional, por norma acompanhado de sentimentos de desesperança, negligência das necessidades físicas e psicológicas, isolamento social, insónias, aumento de consuma de substâncias como tabaco e álcool, dificuldades de concentração e menor imunidade a doenças físicas.

Revê-se neste papel? Procure aliviar a sua sobrecarga. Partilhe os seus sentimentos com alguém da sua confiança, regule a sua alimentação e sono, evite o consumo de substâncias, faça exercício físico, liberte-se se sentimentos de culpa ou perfeição que possa carregar, tente partilhar o seu papel de cuidador com terceiros e procure ajuda profissional. Cuidemos uns dos outros não esquecendo de nós próprios.

Catarina Barra Vaz
Psicóloga Clínica

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