Nunca se falou tanto deles. Nos últimos anos,
vitaminas e minerais deixaram os bastidores da dieta
para assumirem as luzes da ribalta sob a forma de
cápsulas.

Estima-se que, hoje em dia, cerca de metade
dos adultos norte-americanos adiciona um ou
mais suplementos ao seu menu diário.

Em Portugal,
embora o seu consumo ainda seja moderado, a tendência
é para aumentar sobretudo entre a população
feminina que representa já 66 por cento dos seus
fãs.

Que ilações podemos retirar desta tendência?
Estaremos mais preocupadas com a saúde ou a tentar
aliviar a consciência por não seguirmos a dieta ideal?
Valerá ou não a pena optar por tomar suplementos?
Descubra as respostas nas entrelinhas...

Ajuda extra

Ajuda extra

Uma dieta equilibrada é sinónimo
de saúde, contudo calcula-se que apenas 20 por
cento dos portugueses ingere a dose diária indicada
de fruta e legumes. Isto significa que muitos de
nós precisamos de uma ajuda extra.

Por exemplo,
a vitamina C, na versão suplemento, pode ser
«útil para pessoas que não consomem fruta fresca,
especialmente citrinos, em situações de stress
metabólico ou gripe, pois ajuda-as a recuperar»,
afirma Maria da Conceição Castilho, professora
da Faculdade de Farmácia da Universidade de
Coimbra.

Para quem segue uma dieta vegetariana
as cápsulas são o meio ideal para obter nutrientes
vitais, como a vitamina B12, presente em produtos
de origem animal.

Sob pressão

Sob pressão

O cansaço e o stress são outras razões
que nos levam a optar pelos complexos vitamínicos.
Benéfico para a memória e insónias, o magnésio
também é usado (assim como a vitamina B)
para combater o mal-estar associado à síndrome
pré-menstrual.

Este e outros antioxidantes, além
de protegerem o organismo da acção destruidora
dos radicais livres e prevenirem o envelhecimento,
são aliados de quem fuma. «Está provado
que os fumadores necessitam aproximadamente
de mais de 40 por cento de vitamina C do que os
não fumadores», explica a especialista.

Fertilidade

Fertilidade

Actualmente, recomenda-se a mulheres
que planeiam engravidar ou já em início de
gravidez a toma diária de ácido fólico que previne
malformações no feto. O ferro e a vitamina B12
também são indicados.

Ainda no que toca à fertilidade,
segundo a especialista «calcula-se que a
ausência de ácido fólico, vitamina A, D, E, C, B12
e de iodo, cálcio, ferro, zinco e selénio podem ser
responsáveis por alguns casos de infertilidade».

O
uso de fármacos que interfiram com a absorção de nutrientes, como os antibióticos e os contraceptivos
orais, pode exigir o recurso a suplementos.

Veja na página seguinte: Os riscos que estas cápsulas comportam

Supervisão médica

Supervisão médica

Mesmo as cápsulas à venda
na farmácia não estão isentas de riscos. Segundo
a especialista, «os suplementos não são inofensivos».

É provável que a vitamina isolada tenha uma concentração
mais elevada do que o multivitamínico,
mas isso não o torna inofensivo», acrescenta ainda.

Assim, é vital
consultar previamente o médico, pois só ele pode
analisar e corrigir as falhas nutricionais. Até a vitamina
C pode ser prejudicial em excesso: «Estudos
demonstram que 500 mg por dia, durante seis
semanas, em vez de um efeito antioxidante tem
uma acção pró-oxidante. Isto também se verificou
no excesso de vitamina A em fumadores», conta.

Risco de toxicidade

Os minerais classificam-se segundo a importância (macro e micronutrientes) e as vitaminas pela sua absorção (lipo
e hidrossolúveis), distinção que é relevante em
termos de toxicidade. Minerais como o cálcio e
o magnésio são necessários em maior quantidade,
ao contrário do selénio ou do ferro.

Nas vitaminas
há diferenças em termos de risco, explica:
«As hidrossolúveis acabam por ser eliminadas do
organismo. As lipossolúveis são mais problemáticas.
A vitamina A é uma delas, porque fica armazenada
por períodos muito longos.»

Quantidade certa

Quantidade certa

Para ser benéfico, o uso destas
substâncias deve ser inferior a dois meses. A dose
considerada óptima situa-se, na opinião da especialista, «ligeiramente
acima do valor da dose diária recomendada».

«É preferível um pequeno excesso, porque
um défice a longo prazo pode aumentar o risco de
doença e prejudicar a capacidade funcional do indivíduo.
A toma deve ser feita por curtos espaços de
tempo, porque se não houver necessidade não vale
a pena sobrecarregar o organismo», sublinha.

«No Inverno ou
numa fase de stress pode fazer-se uma cura e depois
parar, apostando-se numa alimentação variada», acrescenta ainda. Independentemente da sua situação, tenha sempre presente que o uso dos suplementos deve ser inferior a dois meses.

A dose correcta

A dose correcta

As quantidades ideais, funções e principais fontes de algumas vitaminas e minerais:

    Vitamina C
    DDR*: 75 – 90 mg
    Fontes: Fruta (citrinos, kiwi), batata, vegetais, frutos vermelhos
    Áreas de acção: Formação de colagénio, vasos sanguíneos, cicatrização
    absorção de ferro

    Magnésio
    DDR*: 300 mg
    Fontes: Frutos secos, vegetais, leguminosas, cereais
    Áreas de acção: Activação de enzimas, sistema nervoso e muscular, formação óssea

    Veja na página seguinte: Como obter vitamina A, ácido fólico e selénio

    Vitamina A
    DDR*: 700 – 900 mcg
    Fontes: Lacticínios, peixe, vegetais e fruta
    Áreas de acção: Visão; formação celular, sistema imunitário

    Selénio 55
    DDR*: 70 mcg
    Fontes: Carne, marisco, cereais integrais
    Áreas de acção: Síntese de enzima,
    antioxidante

    Vitamina B 12
    DDR*: 2,4 mcg
    Fontes: Carne, ovo, lacticínios
    Áreas de acção: Glóbulos vermelhos, ADN, sistema nervoso

    Cálcio
    DDR*: 800 – 1200 mg
    Fontes: Lacticínios, carne peixe, ovo, vegetais, tofu
    Áreas de acção: Formação óssea, sistema nervoso e muscular,
    ritmo cardíaco

    Ferro
    DDR*: 10 –15 mg
    Fontes: Carne, peixe, leguminosas, frutos secos, cereais, vegetais
    Áreas de acção: Glóbulos vermelhos, células musculares

    Ácido fólico
    DDR*: 400 mcg
    Fontes: Vegetais de folha verde, fruta, cereais
    Áreas de acção: Sistema nervoso, glóbulos vermelhos, prevenção
    de malformações no feto

    *DDR: Dose diária recomendada para um adulto (ajustável segundo a idade, sexo e estado físico)

    Fonte: Adaptado de dados retirados de Mayo Clinic (www.mayoclinic.com)

    Texto: Manuela Vasconcelos com Maria da Conceição Castilho (professora da Faculdade de Farmácia da
    Universidade de Coimbra)

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