O cancro da próstata é a quarta causa de morte entre os homens e a sua incidência aumenta com a idade.
Com um início insidioso e sem sintomas, progride lentamente durante 15 ou mais anos sendo em 30 por cento dos casos um achado post-mortem.

Quando, pela sua progressão comprime a uretra prostática ou ultrapassa a cápsula (camada externa da próstata) os sintomas instauram-se muito rapidamente. São sintomas de prostatismo (dificuldade em iniciar e terminar a micção, jato débil e interrompido e eventual retenção urinária), polaquiúria e nictúria (urinar mutas vezes incluindo durante a noite) disúria (dor a urinar), hematúria (sangue na urina).

Surgem numa fase tardia e não são específicos do cancro da próstata. Na hipertrofia benigna da próstata – HPB (aumento benigno da próstata) existem sintomas semelhantes embora de instalação gradual, o mesmo acontecendo na prostatite aguda (infeção bacteriana da próstata), em que a instalação súbita dos sintomas e o estado febril indiciem o diagnóstico com facilidade.

Na prostatite crónica (bacteriana ou sem bactérias ou prostatose) também existe prostatismo que se instaura de forma gradual.
O toque retal (palpação da próstata) feito pelo médico urologista, quer nestas situações quer em exame de rotina permite o diagnóstico.

O aparecimento de um nódulo duro, de uma próstata uniformemente dura ou de áreas de irregularidade aponta para cancro da próstata a confirmar por biópsia. Porém, o seu achado significa que o tumor já não está numa fase de evolução inicial e quanto mais cedo se der o diagnóstico mais potencialmente curável é.

O doseamento laboratorial do PSA total (prostate specific antigen – antigénio específico da próstata) e da sua fração livre, contribuem para o desejável diagnóstico precoce. A partir dos 45 anos o PSA deve ser realizado anualmente em especial em homens com história familiar de cancro da próstata.

É certo que o PSA total não é específico do cancro da próstata e está também aumentado na HPB e prostatites.
Porém se a sua concentração for superior aos valores de referência (normais) para a idade (dos 40 aos 49 anos até 2,5 ng/ml -; 50 aos 59 anos até 3,5 ng/ml; 60 aos 69 até 4,5 ng/ml; 70 aos 79 anos até aos 6,5 ng/ml) e se a fração livre do PSA for inferior a 0,23 por cento do total, deve pensar-se na possibilidade de cancro e torna-se necessário aprofundar a investigação.

Outro alerta suspeito é verificar-se que ao fim de um ano se deu uma subida de 0,75 ng/ml. Estas alterações deverão ser avaliadas pelo urologista tendo em conta que há variações fisiológicas que podem dar origem a falsos positivos.

Um exame laboratorial recente, o Pca3, executado por métodos de biologia molecular em poucos laboratórios na Europa e aqui em Portugal apenas pelo Centro de Medicina Laboratorial Germano de Sousa, permite aprofundar o diagnóstico do cancro da próstata pois estuda a presença de alterações moleculares nos genes das células da próstata colhidas na urina emitida após massagem da próstata. O seu valor preditivo duplica o do PSA.

Por Germano de Sousa

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