O ácido fólico é uma vitamina hidrossolúvel do complexo B e foi identificado em 1940 ao ser isolado do espinafre.

A importância da sua toma, sob a forma de suplemento, nos meses que antecedem a gravidez e ao longo desta, é bastante conhecida, mas o papel do ácido fólico tem ainda mais protagonismo.

Como nos explica Pedro Lobo do Vale, médico de clínica geral, «este nutriente é utilizado pelo organismo na produção de glóbulos vermelhos, para ajudar à cicatrização de feridas, estando envolvido em todos os processos que impliquem divisão celular. É fundamental na formação de ADN (material genético de todas as células), ARN (que transporta os dados do ADN) e na síntese das proteínas».

Protecção na gravidez

Todos nós conhecemos grávidas que tomaram ou tomam ácido fólico. Esta vitamina é recomendada às gestantes porque previne problemas congénitos no feto, nomeadamente a espinha bífida. «Esta malformação das vértebras deixa sequelas como paralisia parcial ou total dos músculos dos membros inferiores, incontinência e perda de sensibilidade.

Para além de aumentar o consumo de alimentos ricos em ácido fólico, a mulher que esteja a pensar engravidar (cerca de três meses antes) e durante a gravidez deve, obrigatoriamente, tomar um suplemento diário deste nutriente», alerta Pedro Lobo do Vale. Desta forma as futuras mães estarão a contribuir para que os seus filhos sejam saudáveis.

É importante salientar que «a não suplementação com ácido fólico não é, forçosamente, sinónimo de malformações no feto. No entanto, sabe-se, hoje em dia, que a probabilidade da sua ocorrência é substancialmente maior nestes casos», acrescenta.

Múltiplos benefícios

Para além dos benefícios da suplementação de ácido fólico antes e durante a gestação, existem mais vantagens no consumo desta vitamina.

Esta actua «na prevenção de doenças cardíacas, pois os níveis elevados de homocisteína (uma substância semelhante a um aminoácido) são um risco cardiovascular semelhante ao do colesterol elevado», explica o especialista.

«Os níveis elevados de homocisteína estão também, por vezes, associados a casos de depressão e muitas pessoas deprimidas apresentam deficiências de ácido fólico. Nestes casos, a toma de suplementos deste nutriente pode ser benéfica. O ácido fólico pode ajudar ainda em situações como a doença de Alzheimer, esclerose múltipla, gota, osteoporose, entre outras», afirma Pedro Lobo do Vale.

Dieta rica em ácido fólico

A ingestão desta vitamina está assegurada se se fizer uma alimentação equilibrada e saudável. Pedro Lobo do Vale revela que «de entre os alimentos ricos em ácido fólico incluem-se legumes verdes, como os brócolos, o feijão verde, os espinafres, a couve, os espargos, as ervilhas, a alface, e leguminosas como o feijão, as lentilhas e a soja; cereais integrais e frutos como a laranja, toranja e morangos».

Todavia, nem todas as pessoas mantêm uma alimentação equilibrada, daí que, por vezes, seja necessária uma suplementação alimentar. Por norma, um adulto deve ingerir 200 mcg de ácido fólico diariamente. Caso se trate de uma grávida ou de uma mulher que esteja a pensar engravidar, a dosagem deve aumentar para 400 mcg.

Carência de ácido fólico

A deficiência em ácido fólico é caracterizada por «sintomas de anemia
que incluem palidez, fraqueza, perda de peso e, eventualmente, lesões nervosas (neuropatias)», descreve o especialista. Nestes casos, o melhor é consultar sempre o médico assistente, que fará o diagnóstico mais correcto e indicará o tratamento mais adequado.

O ácido fólico também «poderá ser particularmente útil em idosos e indivíduos com problemas de alcoolismo (que naturalmente são mais propensos a carências)», refere Pedro Lobo do Vale.

A ingestão excessiva de álcool, assim como a «administração prolongada de barbitúricos, anticonvulsivantes, antimaláricos, laxantes, contraceptivos orais e alguns agentes quimioterápicos» provocam a deficiência deste nutriente no organismo.  O médico acrescenta ainda que «a presença de problemas de absorção a nível intestinal (doença celíaca, doença de Crohn, síndroma do intestino irritável) podem originar carência em ácido fólico».

A deficiência grave em ácido fólico, embora rara, pode provocar anemia megaloblástica (anemia que resulta da inibição da síntese de ADN na produção de glóbulos vermelhos), língua vermelha e dorida, diarreia crónica e, nas crianças, crescimento insuficiente.

Texto: Leonor Noronha com Pedro Lobo do Vale (médico de clínica geral)

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