Esperança média de vida, taxas de natalidade e mortalidade, cuidados de saúde. Os dados demográficos mostram que, desde 1995, temos caminhado, cada vez mais, na mesma direcção que a generalidade dos países desenvolvidos.

Mas, afinal, qual o rumo que temos seguido? Que atalhos se impuseram a meio do percurso? Que mensagem nos deixam  essas tendências  para o futuro?

Este artigo é sobre números e estatísticas, mas o que pretendemos é dar-lhe a conhecer o que eles revelam. Para isso, cruzámos as análises de Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas no livro «Portugal: os Números» (2010), baseado em informações da base de dados Pordata, com documentos oficiais recentes do Ministério da Saúde.  

Falamos das tendências observadas em Portugal na área da demografia e da saúde. Se calhar já se apercebeu de algumas. De outras, talvez não. E é por isso que acreditamos ser importante mencioná-las.

Longevidade e maternidade

Imagine que, em 2006, tinha 65 anos. Saiba que, se é homem, seria de esperar que vivesse até quase aos 82 anos. Se, pelo contrário, é uma mulher, era previsível que vivesse até aos 85.

Agora imagine a mesma situação 15 anos antes. Em 1991, um homem viveria menos dois ou três anos (até aos 79) e uma mulher menos três (até aos 82 anos), revelam dados do Ministério da Saúde quanto à esperança de vida aos 65 anos.

O aumento da longevidade, ilustrado pelo aumento da esperança média de vida ao nascer e ao longo da vida, é uma tendência de todos os países desenvolvidos. Explica-se, em parte, pelos avanços da ciência, pela melhoria progressiva dos cuidados de saúde e pelo suporte social dado aos cidadãos seniores.

Por outro lado, este é um dos vectores do fenómeno talvez mais característico de todas as sociedades desenvolvidas, o envelhecimento da população. Para o compreender é necessário observar também o que se passa com os nascimentos, cada vez em menores número e mais tardios. Porquê? Existem dois factores que o podem explicar: o facto de a mulher ter passado a assumir a carreira como uma prioridade e o acesso generalizado aos métodos contraceptivos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, entre 1997 e 2007, os métodos mais utilizados por mulheres entre os 15 e os 49 anos mantiveram-se a pílula, o preservativo e o DIU.

A mortalidade

«Os cancros malignos constituem a segunda causa mais comum de morte em Portugal, seguido pelas doenças cerebrovasculares e doenças isquémicas do coração.

Apesar dos avanços observados ao nível das condições de saúde da população nas últimas décadas, o cancro e as doenças do sistema circulatório colocam Portugal numa posição desfavorável quando comparado com a média europeia», revela o documento Health in Portugal 2007, do Ministério da Saúde.

Segundo a mesma fonte, na base destas doenças encontram-se factores de risco controláveis pelos portugueses que, em alguns casos, ainda resistem em adoptar um estilo de vida saudável e, nesse sentido, protector.

«A actual epidemia de diabetes e obesidade constitui uma grande preocupação e deve ser controlada», alerta o mesmo documento. Com vista a atingir este objectivo, foi criada a Plataforma Nacional contra a Obesidade.

Ao nível da  mortalidade infantil, Portugal conseguiu apresentar nos últimos anos «taxas cujos valores são dos mais baixos a nível mundial», revela o Ministério da Saúde. Se em 1975, morreram 38,9 bebés por cada mil nados vivos, em 2007, esse valor tinha diminuído para 3,7.

Medicamentos, médicos e enfermeiros

Entre 2003 e 2007, os gastos anuais em medicamentos aumentaram de 275 para 325 euros per capita, sendo a evolução mais acentuada nos medicamentos genéricos, revelam dados do Ministério da Saúde.

Embora seja muito frequentes a queixa por parte dos utentes do Serviço Nacional de Saúde da insuficiência de profissionais nesta área, segundo a mesma fonte, o número de médicos por 100 mil habitantes aumentou de 260, em 1987, para 350 em 2006, enquanto o número de enfermeiros subiu de 275, em 1991, para 480.

Uma evolução semelhante observou-se quanto ao número de alunos inscritos no ensino superior na área da saúde, que aumentou de 10 mil em 1991 para 55 mil em 2009.

Em suma, nos últimos anos, cada habitante de Portugal passou a dispor, em média, de mais médicos e enfermeiros e, também, a realizar mais consultas e a gastar mais dinheiro em medicamentos. Mas estarão satisfeitos com a sua saúde?

Como está a sua saúde?

Dados do Ministério da Saúde, divulgados em 2009, revelam que «a percentagem da população portuguesa que refere considerar o seu estado de saúde muito bom ou bom aumentou de forma um pouco acentuada de 1998/99 para 2005/2006 (5,3% nos homens; 6.9% nas mulheres.»

Contudo, segundo o estudo «Acesso, avaliação e atitudes da população portuguesa - evolução entre 2001 e 2008», de Manuel Villaverde Cabral e Pedro Alcântara da Silva, divulgado o ano passado no contexto da comemoração das três décadas do Serviço Nacional de Saúde, as mulheres, os mais velhos e as pessoas com estatuto sócio-profissional mais baixo afirmam ter um pior estado de saúde.

Se em 2001 quase metade dos inquiridos classificava como bom o seu estado de saúde, sete anos depois esse valor descia para perto de 42 por cento.

A boa notícia é que nos últimos anos, o número de portugueses que estavam empenhados em fazer algo para ficar saudáveis aumentou de forma significativa, de 36 por cento para quase metade da população. Será o seu caso?

Texto: Rita Miguel

A responsabilidade editorial e científica desta informação é da revista

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