Ao fim de 15 anos de investigação Craig Venter, um dos «pais» da primeira sequenciação do genoma humano, anunciou ao mundo, em Maio, a criação da primeira «célula sintética», capaz de se multiplicar como uma célula natural.

Numa conferência de imprensa conjunta, Venter descrevia a descoberta como «a primeira espécie auto-replicante do planeta, cujo parente mais próximo é um computador.»

O processo de criação

Segundo o The New York Times, para chegar até aqui, a equipa de Venter começou por, há três anos, «demonstrar que o ADN de uma bactéria poderia ser inserido noutro assumindo a função da célula hospedeira». Posteriormente, em 2009, os investigadores conseguiram sintetizar uma parte do ADN com 1,08 milhão de unidades químicas.

O último passo implicou, como descreve o site ciênciahoje.pt, «uma cópia do genoma existente, o de uma bactéria (Mycoplasma mycoides), mas com sequências de ADN adicional. Posteriormente, transplantaram o genoma sintético da bactéria para outra, denominado capricolum microplasma, conseguindo "activar" as células deste último.»

De acordo com o jornal I, um dos grandes objectivos desta equipa de cientistas será conseguir «sintetizar por completo uma célula com capacidades mínimas de sobrevivência».

Potencialidades e riscos

Para Craig Venter este projecto, que custou cerca de 16 milhões de euros, mais do que um avanço tecnológico é um «avanço filosófico».

Durante  a sua declaração ao Comité da Energia e Comércio da Câmara dos Representantes, Venter, citado pelo jornal Público, em Maio deste ano, disse que «tal como qualquer área nova da ciência, medicina ou tecnologia, a genómica sintética pode ser usada para grande benefício da sociedade (biocombustíveis, vacinas e produtos farmacêuticos) mas também para fins negativos. As tecnologias de uso dual precisam de ser cuidadosamente discutidas e avaliadas»

Entrevistada pelo canal Globo, na altura do anúncio desta descoberta, Lygia Pereira, do laboratório de genética da Universidade de São Paulo, referiu tratar-se «de um avanço tecnológico na direcção de uma revolução: criar seres vivos que tenham funções como despoluir o ar ou produzir energia limpa».

Mas nem todos têm uma opinião tão positiva, nomeadamente pelo facto desta descoberta poder vir a ser usada para a criação de armas biológicas e de não haver ainda legislação que a regulamente.

Outros cientistas relativizam a descoberta e outros encaram ainda este avanço como uma promessa que demorará muitos anos a concretizar-se.

Texto: Claúdia Vale da Silva

A responsabilidade editorial e científica desta informação é da revista

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