Todos nós já ouvimos falar sobre os benefícios de praticar desporto e de ter uma alimentação saudável. Mas o que vemos todos os dias mostra bem a diferença entre a teoria e a prática. A falta de tempo livre e as condições financeiras das famílias não lhes permitem uma prática regular desportiva e o desporto é cada vez mais visto como uma obrigação em vez de um prazer.  
A diabetes tipo 2 (DT2) e a obesidade proliferam pelos países desenvolvidos e a sua escalada garantiu-lhes o título de epidemia!
A prevenção da DT2 é um grande estandarte de batalha a favor da prática desportiva. Mas alguns casos de diabetes tipo 2 surgem de causas hereditárias e os casos de diabetes tipo 1 (DT1), que são diagnosticados geralmente em crianças e adolescentes, não podem ser prevenidos. 
A diabetes é uma condição provocada pela produção insuficiente ou inexistente de insulina pelo pâncreas, que leva a uma acumulação de glicose na corrente sanguínea. E após o diagnóstico, o dia a que muitos chamam o “Dia D”, é necessário manter os valores de glicémia o mais próximo possível de um intervalo que vai de 80 a 120 mg/dl.
Este controlo é feito essencialmente através de medicação (anti-diabéticos orais para DT2 e aplicações de insulina para DT1), do desporto e de uma alimentação equilibrada, mas fatores como as emoções, as doenças ou até o clima também influenciam a glicémia.
O número de diagnósticos de diabetes tipo 1 tem vindo a aumentar nos últimos anos, sem que se descortine a razão para esse aumento. Com o aumento de crianças e jovens com DT1, é necessário que a sociedade se mantenha bem informada e preparada para lidar com estes casos, sobretudo a nível escolar. 

É na escola que estes jovens entram em contacto com os diversos tipos de desporto e o projeto “AJDP nas Escolas” tem sido chamado regularmente a diversas escolas para prestar esclarecimentos a pessoas que tenham começado a lidar com jovens com diabetes, para que não haja impedimentos a uma vida normal.
Para os jovens com DT1, a prática desportiva traz imensos benefícios, seja qual for a forma escolhida. Apresenta-lhes desafios, que trazem auto-confiança ao serem conquistados. Fomenta o trabalho de equipa e capacidades sociais, mesmo em desportos individuais. Mostra a importância da existência de regras e melhora a disciplina destes jovens. 
Estas capacidades são essenciais para lidar com a DT 1: é necessário ter auto-confiança para esclarecer as questões que professores e colegas colocam regularmente e combater situações de descriminação; é necessária disciplina para balançar todos os fatores, para fazer contagem de hidratos de carbono, calcular quantidades de insulina, para nos irmos adatando à medida que os anos passam. 
E os benefícios a nível de saúde que o desporto traz para qualquer outra pessoa são ainda acrescidos de uma estabilização da glicémia, desde que exista uma prática regular. 
Embora sejam necessários alguns cuidados extra para evitar casos de descompensação, seja por hipoglicemia ou por hiperglicemia, o desporto é, agora, mais que recomendado para qualquer jovem com diabetes.
O controlo da diabetes é sempre um desafio, sobretudo em crianças e jovens. O estigma associado à necessidade de injecções de insulina, a confusão entre diabetes tipo 1 e tipo 2 e o fantasma das complicações de uma diabetes mal controlada podem levar um jovem a não aceitar bem a sua diabetes. 
No entanto, um jovem com diabetes pode atualmente ter uma vida igual à dos outros jovens, e o desporto desempenha um papel fulcral num estilo de vida saudável.
Por Carlos Neves, presidente da Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP)

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