No processo fisiológico, a natureza fá-lo seguindo um esquema único que se inicia com a hemóstase, continua com processos catabólicos para limpar a ferida de restos de tecido destruído, corpos estranhos e micro-organismos. Por fim, o novo tecido é reconstruído para cobrir a zona afetada que, com o tempo, se transforma num tecido cicatricial resistente.

Independentemente do tipo de ferida e da extensão da perda de tecido, qualquer cicatrização de ferida decorre em fases que se sobrepõem ao longo do tempo e indissociáveis umas das outras. A subdivisão em fases é feita de acordo com as modificações morfológicas básicas que se produzem durante o processo de reparação, sem que reflita a complexidade dos procedimentos.

Em regra, a cicatrização divide-se em 3 fases:
- Fase inflamatória e exsudativa: hemóstase e limpeza da ferida
- Fase de proliferação: reconstrução dos tecidos de granulação
- Fase de diferenciação: maturação, cicatrização e epitelização
Na prática, as 3 fases do cuidado de feridas denominam-se de forma abreviada como fase de limpeza, fase de granulação e fase de epitelização.

Influências na cicatrização
Sabendo que o organismo humano se encontra predisposto para a cicatrização de feridas pelos seus próprios meios, esta capacidade apresenta grandes diferenças individuais. A velocidade e qualidade da cicatrização depende do estado geral da pessoa, bem como da origem da ferida e das características.

Influências não específicas
As variadas condições de cicatrização podem surgir como consequência do estado físico em que se encontra previamente o indivíduo.

1. Idade
Investigações clínicas concluíram que a idade fisiológica desacelera os processos de cicatrização da ferida como consequência da redução geral das atividades celulares. Contudo, as alterações na cicatrização da ferida propriamente ditas derivam na maioria dos casos das doenças associadas, dos quadros imunitários deteriorados e, frequentemente, da alimentação deficiente, causadas pela idade avançada.

Com o envelhecimento produzem-se também muitas vezes feridas e úlceras como consequência de doenças metabólicas, de alterações vasculares e de tumores. Nesses casos deve-se contar com a respetiva deterioração na cicatrização.

2. Estado nutricional
A cicatrização da ferida é prejudicada quando não estão disponíveis as quantidades necessárias de nutrientes e de substâncias nutritivas (proteínas, calorias, vitaminas e minerais), indispensáveis para poder levar a cabo o metabolismo intenso da ferida. Se, por exemplo, a quantidade de proteínas for insuficiente, a síntese de proteínas diminui e com ela diminui também a proliferação de células do tecido de granulação e em todo o sistema imunológico. Por este motivo, um défice proteico prejudica imenso todo o processo de cicatrização de feridas.

Saiba mais na próxima página

As patologias, em especial as infeções e as úlceras crónicas, revertem o metabolismo a um estado catabólico através da produção de citoquinas, o que acaba numa situação de má nutrição.

Todas as vitaminas intervêm favoravelmente na cicatrização das feridas como coenzimas. O défice de uma única vitamina pode atrasar a cicatrização.

3. Estado imunitário
Os processos de defesa imunitários têm uma grande importância no decorrer da cicatrização de feridas. É por isso que as alterações do sistema imunitário causam uma elevada propensão a que se produzam alterações na cicatrização e complicações infeciosas.

Doenças causais
As patologias que exercem uma influência inibidora sobre a cicatrização de feridas são em primeiro lugar, aquelas que afetam o estado imunológico do organismo, como por exemplo os tumores, as doenças autoimunes e as infeções. Também se deve contar que aconteçam atrasos ou alterações de cicatrização nas patologias do tecido conjuntivo (como a artrite reumatoide), doenças do metabolismo (por exemplo Diabetes Mellitus) e doenças vasculares (como oclusão arterial ou insuficiência venosa). Em especial, a Diabetes Mellitus e as doenças vasculares venosas e arteriais são fatores desencadeantes de úlceras.

Complicações pós-operatórias
A maioria das complicações pós-operatórias interfere diretamente sobre a cicatrização da ferida, nomeadamente as tromboses e as embolias trombóticas.

Consequências de traumas e de choque agudo
O trauma causado pela perda de sangue ou por uma perda importante de fluídos, uma consequência, por exemplo, de uma queimadura grave, desencadeiam no organismo um elevado número de reações com a intervenção de mediadores. O que origina, entre outras consequências, a alteração da microcirculação com a consequente hipóxia tecidular.

O desequilíbrio entre a necessidade de aporte de oxigénio e o consequente bloqueio na excreção de produtos metabólicos têm influência na fase inicial de cicatrização da ferida e sobre a capacidade de resposta imunológica.

A medicação
Diversos fármacos exercem influência negativa sobre o processo de cicatrização da ferida, nomeadamente os supressores imunológicos, os citostáticos, os anti-inflamatórios e os anticoagulantes. Os efeitos sobre os mecanismos de reparação dos tecidos dependem da dose, do momento em que se administram e da duração da terapia.

A situação psicossocial do paciente
A cicatrização de feridas, em especial a de feridas crónicas que têm origem em falhas metabólicas, como, por exemplo, as úlceras diabéticas, exigem uma elevada colaboração por parte da pessoa.

No entanto, a situação psicossocial de cada indivíduo leva a que a compreensão por parte dos pacientes e a sua motivação para participar de modo ativo no tratamento seja única. Também o consumo de álcool e de tabaco exerce influências negativas no processo de cicatrização de feridas.

Influências locais
O estado da ferida e a qualidade dos cuidados, bem como as condições físicas em redor da pessoa, são também fatores que determinam a evolução do processo de cicatrização da ferida.

Saiba mais na próxima página

Estado da ferida
Para poder realizar uma avaliação do estado da ferida e das consequências que derivam da cicatrização, devemos ter em consideração os fatores que se seguem:
- Causa/dimensão da lesão (tamanho, profundidade, estruturas afetadas como fáscia, músculo, tendão, osso).
- Estado do leito da ferida (proporção de tecido necrótico, estado em que se encontra a necrose fechada, necrose negra; esfacelo ou necrose amarela; sujidade; corpos estranhos e ferida limpa).

- Estado dos bordos da ferida (plana, irregular, cavitária, escavada, com locas).
- Composição e quantidade do exsudado (sangrante, sero-sanguinolenta, purulenta, seca).
- Grau de colonização/sinais de infeção.
- Localização da ferida (numa região com boa ou má perfusão sanguínea).
- Idade da ferida (traumatismo agudo, lapso de tempo decorrido desde o acidente até à primeira assistência médica/tratamento, feridas crónicas).
No caso de feridas realizadas por intervenção cirúrgica, o estudo da ferida e o processo de cicatrização dependem de fatores como a localização da intervenção, a duração e o tipo de cuidados pré-operatórios, o estado de higiene e a qualidade da gestão higiénica no bloco operatório, as técnicas cirúrgicas bem como a duração da cirurgia.

Colaboração interdisciplinar
A qualidade dos cuidados com a ferida tem uma influência decisiva na cicatrização da mesma. Em função do tipo de ferida e da sua origem, os procedimentos requerem, previamente, a aplicação de diferentes medidas terapêuticas: intervenções cirúrgicas em traumatismos agudos; terapias causais complexas no caso das feridas crónicas; ou uma terapia compressiva adequada.

Um ótimo cuidado de feridas engloba diversas áreas de intervenção (podologia, cirurgia vascular, endocrinologia, nutrição, psicologia, estética, etc.) e, com frequência, o êxito da cicatrização da ferida só é possível com a colaboração interdisciplinar.

Alterações na cicatrização
Diversos fatores influenciam, quer a velocidade, quer a qualidade da cicatrização. Devido à combinação desses fatores, podem produzir-se alterações na cicatrização da ferida, alterações essas que apresentam tipologia diversa e formas sintomáticas.

Entre estas pode mencionar-se a não continuidade da limpeza da ferida, a formação deficitária e inibição do tecido de granulação ou a falta de reepitelização, bem como as típicas complicações pós-operatórias (seromas, hematomas, deiscências da ferida e cicatrizes hipertróficas) e a infeção da ferida, que é a alteração mais comum e de maior gravidade.

- Seromas
Os seromas são cavidades que se encontram na zona da ferida e em que se acumula sangue, soro e linfa. Na maioria dos casos devem-se a irritações na zona da ferida causadas, por exemplo, por corpos estranhos, necrose por coagulação devido a aplicação excessiva de eletrocoagulação ou, também, devido a uma forte tensão na ferida como consequência de suturas demasiado tensas ou infeções assintomáticas.

Saiba mais na próxima página

- Hematomas
Os hematomas formam-se nas margens das feridas como resultado de uma hemóstase deficiente ou de um aumento da pressão sanguínea na fase pós-operatória. Produzem-se muitas vezes por inibição da coagulação sanguínea devido a terapias anticoagulantes ou por alterações patológicas no sistema de coagulação.
Os sintomas clínicos de uma hemorragia secundária são: aumento do pulso, descida da tensão arterial.

- Deiscências
As deiscências da ferida são transtornos no processo de cicatrização, em que, e apesar das suturas de aproximação, os bordos da ferida não aderem e estabelece-se um tecido conjuntivo.

- Cicatrização hipertrófica
Algumas pessoas têm propensão a uma cicatrização excessiva. Atualmente discute-se a origem do excesso de cicatrização devido a alterações na formação e fixação do colagénio. As cicatrizes hipertróficas desenvolvem-se rapidamente após a cirurgia, em regra circunscrevem-se apenas à ferida e apresentam uma tendência espontânea para a evolução regressiva. No caso das queimaduras cicatrizadas, que mostram uma predisposição para a hipertrofia de cicatrizes, devem tomar-se medidas preventivas contra esta possibilidade, mediante compressão.

- Queloides
Em princípio, os queloides são difíceis de diferenciar das cicatrizes hipertróficas. Pode tratar-se também de uma excessiva cicatrização fibrinosa. O que diferencia estas situações é a sua estrutura composta por cadeias espessas de colagénio hialínico embutidas numa matriz gelatinosa. As mais pequenas incisões podem causar queloides graves, desenvolvendo-se independentemente de movimentos musculares e raramente sobre articulações. Em oposição às cicatrizes hipertróficas, os queloides podem ultrapassar os limites da ferida e não mostram ter nenhuma tendência regressiva. As correções cirúrgicas frequentemente pioram a situação.

Formação da cicatriz
A formação de cicatrizes foi designada por “perturbação” microscópica da estrutura e do funcionamento da arquitetura da pele”. A cicatriz continua a remodelar-se durante bastante tempo depois de uma ferida fechar e não se considera terminada a fase de maturação até 1 ou 2 anos após a lesão.

Normalmente, as cicatrizes apresentam tons de cor mais pálidos ou mais escuros que a pele normal. As fibras de colagénio são mais grossas e densas e não estão alinhadas com a epiderme, mas sim entrecruzadas. O conteúdo em elastina é reduzido e a união da derme e da epiderme é plana, a vascularização da zona está alterada e as terminações nervosas também; não aparecem na cicatriz nem folículos pilosos nem glândulas sebáceas.

Tipos de cicatrizes
Dependem da forma como as respetivas feridas tiveram origem e se encerram:
Normotróficas
Feridas que cicatrizam de forma correta.
Atróficas
Não se produz tecido conjuntivo em quantidade suficiente e a cicatriz fica a um nível mais baixo do que a pele que a rodeia. Um exemplo são as cicatrizes do acne.
Hipertróficas
Produz-se demasiado tecido conjuntivo e a cicatriz fica a um nível mais elevado do que a pele que a rodeia, e fica também avermelhada.
Queloides
Proliferação engrossada e saliente de tecido cicatrizado.

Saiba mais na próxima página

Tratamento de cicatrizes
A cirurgia é um método muito utilizado para tratar cicatrizes hipertróficas e queloides.

Nas cicatrizes pequenas realiza-se uma incisão e fecha-se, sempre que não exista tensão na pele circundante. Nas cicatrizes de maior dimensão é necessário realizar um enxerto.

O reaparecimento de cicatrizes neste tipo de intervenções é de 59%, e cerca de metade das pessoas desenvolvem cicatrizes na zona dadora. Nos últimos anos, aumentou também a frequência das cirurgias realizadas com laser, contudo o resultado obtido não varia face à cirurgia tradicional.

1. Remoção Cirúrgica
A remoção cirúrgica está geralmente indicada para cicatrizes largas ou amplas. Esta técnica permite a formação de uma cicatriz mais estreita e curta e, portanto, menos evidente. Às vezes, apenas a mudança da direção da cicatriz permite uma camuflagem esteticamente aceitável. A fim de obter melhores resultados, a ferida cirúrgica é suturada por planos internos e externos. Por vezes, a ferida é fechada sem costura por meio de colas ou fitas cirúrgicas especiais.

2. Dermoabrasão
Dermoabrasão é um método que consiste em abrasar ou lixar as camadas superficiais da pele. Permite corrigir a superfície de cicatrizes e irregularidades na pele. Fornece bons resultados em cicatrizes da acne, tatuagem, cicatrizes cirúrgicas, rugas e cicatrizes da varicela. A dermoabrasão pode ser feita manualmente por meio de lixas ou com aparelhos elétricos, sob anestesia local no caso de terem maior potência. A pessoa retorna às atividades diárias em duas a três semanas. As mudanças na pigmentação são comuns, porém, por norma desaparecem nos primeiros seis meses. Podem ser necessárias várias sessões para corrigir uma cicatriz.

3. Resurfacing
Resurfacing deve ser entendida como uma técnica que visa remodelar a pele a fim de obter uma textura mais macia e uniforme. Pode ser realizada a partir do laser e dos peelings químicos. Apresenta bons resultados no cuidado de cicatrizes e de imperfeições da pele. O laser usa uma fonte luminosa de alta energia. Existem vários tipos de laser, cada qual usado para um determinado fim. A pessoa pode voltar ao trabalho após duas semanas. Podem acontecer alterações na pigmentação, que desaparecem por norma nos primeiros seis meses.

4. Peeling
É uma expressão inglesa que significa descascar. O peeling químico é usado para “descascar” a pele em profundidade variável de acordo com a indicação dermatológica. Desta forma, temos o peeling superficial, médio e profundo. O dermatologista dispõe ainda de vários tipos de ácidos para realizar o peeling. Esta técnica permite o cuidado de cicatrizes e de irregularidades, para além do envelhecimento cutâneo, pois promove um aspeto mais jovial à pele. A pessoa submetida ao peeling superficial normalmente tem o seu quotidiano preservado, enquanto o peeling profundo necessita de um período de repouso de duas a três semanas. Várias sessões podem ser necessárias. A realização do peeling superficial não causa dor, por vezes ardor leve a moderado, por isso a anestesia não é usada.

5. Preenchimento
Esta técnica consiste em preencher cicatrizes que apresentam depressões/desníveis com material destinado a esse efeito. Existem diversos tipos de produtos, de efeito temporário ou prolongado, sintético ou de origem animal. O produto usado será o que é mais indicado para o grau de depressão. Geralmente o procedimento não necessita de anestesia e a pessoa volta ao ativo de imediato.

Saiba mais na próxima página

6. Microenxertos
Os microenxertos são pequenos transplantes de pele saudável para a área da cicatriz. Esta técnica usa um delicado instrumento chamado punch para retirar a pele da área dadora. Normalmente a área dadora está localizada atrás da orelha. O microenxerto é indicado em especial para cicatrizes profundas da acne.

7. IPL e laser
Atualmente, o IPL e o laser são as principais ferramentas no combate às cicatrizes inestéticas. Em vários estudos comprovou-se que a luz pulsada melhorou a vermelhidão, tamanho e sintomas dolorosos que, com frequência, estão associados, com pouquíssimos efeitos colaterais. Pode haver vermelhidão, inchaço e problemas de pigmentação após a aplicação, mas esses efeitos tendem a ser temporários e de fácil resolução.


Cicatrizes atróficas, que muitas vezes se apresentam como depressões na pele, podem ser melhoradas em 50 a 80% pelos lasers chamados ablativos. Estes lasers destroem as camadas mais superficiais da pele com enorme precisão, fazendo com que o colagénio subjacente prolifere e se remodele. Com isso, as depressões tendem a ser preenchidas, nivelando a pele. Embora os lasers mais recentes tenham menos efeitos colaterais, sinais e sintomas como vermelhidão, inchaço e secreção são comuns. Estes lasers devem ser aplicados somente por profissionais, pois há risco de problemas de pigmentação e de queimaduras.

Recentemente, métodos não ablativos como a radiofrequência foram desenvolvidos para ajudar pacientes com cicatrizes inestéticas. A vantagem destas técnicas é induzir a proliferação e a remodelação do colagénio, através da geração de calor somente nas camadas profundas da pele. Ou seja, não é necessário destruir as camadas superficiais da pele, como fazem os lasers ablativos. A maioria dos estudos mostra que os resultados atuais da técnica não ablativa ainda são inferiores quando comparados aos lasers ablativos.

8. Terapia compressiva
Conhece-se o efeito que a pressão exerce uniformizando a pele. Apesar de este método ter tido ampla utilização durante muitos anos, o seu mecanismo de ação é desconhecido. A pressão pode ser utilizada não só como terapia, uma vez formada a cicatriz, mas também como tratamento profilático. Em muitos casos, com excelentes resultados e sem efeitos secundários, a pressão pode ser um método alternativo no cuidado de cicatrizes hipertróficas e queloides.

A pressão é, por norma, obtida mediante o uso de ligaduras elásticas de algodão e de materiais confecionados em especial para esta função, quase sempre de licra. Estes materiais são fabricados de forma personalizada (com as medidas de cada pessoa) e quase sempre devem permanecer na cicatriz durante 24 horas, retirando-se apenas para efetuar a limpeza da zona. O tempo mínimo de duração varia entre 4-6 meses a 1 ano.

O inconveniente deste método é o incómodo em épocas de calor. A ligadura deve mudar-se com frequência para assegurar a pressão, e isto pode significar um problema nas crianças, em que as mudanças de penso são muito frequentes.
A combinação de lâminas de silicone com a terapia compressiva melhora o resultado final.

9. Lâminas de silicone
A utilização profilática de lâminas de silicone em pessoas de risco, durante os 3 meses seguintes à epitelização, complementa de forma adequada estes cuidados.
As lâminas de silicone são compostas por redes de polímeros de polidimetisiloxano. Existem numerosos estudos que mostram a eficácia do silicone no cuidado e na prevenção das cicatrizes hipertróficas e queloides.

Atualmente, existem no mercado numerosas marcas de pensos de silicone para o cuidado de cicatrizes. Alguns são autoadesivos, mas a maioria não tem propriedades de aderência. O uso de geles de silicone é recente. Este tipo de pensos foi utilizado pela primeira vez por Perkins, na Austrália, em 1982. No início foi aplicado em conjunto com ligaduras compressivas, até se comprovar a eficiência do silicone usado de forma isolada.

Desenvolveram-se diversas teorias sobre como funciona o silicone, contudo nenhuma delas está cientificamente comprovada. Sabe-se que os resultados que se obtiveram não estão relacionados com o efeito da pressão, nem com o aumento da temperatura, a pressão de oxigénio ou a oclusão, explicações em geral dadas por outras lâminas que não possuem silicone. A pressão exercida por estes pensos é mínima, pelo que existe ainda uma discussão em aberto neste caso. As biópsias realizadas não mostram diferenças histológicas entre cicatrizes tratadas e os controlos, e não existe qualquer evidência de que se produz absorção de silicone. A teoria atual é a mais aceite e baseia-se na ideia de que o penso de silicone imita o efeito do estrato córneo, camada da pele diretamente ligada à regulação hídrica do corpo, que controla a perda de vapor de água. Isto significa que os pensos de silicone controlam a redução do vapor de água, produzindo uma diminuição dos depósitos de colagénio e, por consequência, do tecido cicatricial.

10. Corticoesteróides
São o tratamento farmacológico de eleição para este tipo de lesões, por si ou combinados com cirurgia. Os esteroides administram-se por via tópica, ou através de cremes ou injeções intradérmicas. A injeção de esteroides no tecido cicatricial é muito dolorosa, pelo que se deverá realizar com anestesia.

Com doses terapêuticas, os resultados obtidos com este tipo de procedimento são muito limitados e uma sobredosagem de corticoesteróides pode originar complicações sérias. Este procedimento também pode ser combinado com lâminas de silicone, desde que se coordenem os períodos de aplicação.

Edição: Stela Martins
Fotografia: Garnier
Agradecimentos: Cicatriz, Solução no Tratamento de Feridas; Ana Parreira e Rita Marques

Um bocadinho de gossip por dia, nem sabe o bem que lhe fazia.

Subscreva a newsletter do SAPO Lifestyle.

Os temas mais inspiradores e atuais!

Ative as notificações do SAPO Lifestyle.

Não perca as últimas tendências!

Siga o SAPO nas redes sociais. Use a #SAPOlifestyle nas suas publicações.