A alimentação do idoso é diferente? Porquê?

O envelhecimento é um processo natural que se caracteriza por modificações fisiológicas que influenciam a nutrição e alimentação dos idosos, aumentando o risco de défices nutricionais. Nesta etapa do ciclo de vida, um estado nutricional inadequado, que se traduz maioritariamente na desnutrição, contribui de forma significativa para a deterioração da capacidade física e para o aumento da morbilidade e da mortalidade, condicionando o bem-estar e qualidade de vida do idoso.

O diagnóstico precoce da desnutrição no idoso é fundamental para que se possa corrigir atempada e adequadamente, conduzindo a benefícios na saúde e na economia.

Que limitações podem ocorrer com consequências na ingestão alimentar e no estado nutricional?

O processo de envelhecimento promove limitações com consequências na ingestão alimentar e no estado nutricional, entre os quais, problemas de mastigação (falta de peças dentárias ou prótese), de deglutição, desidratação, alterações da função gastrointestinal (exemplo: obstipação), farmacoterapia, demências e outras patologias com impacto nutricional, como diabetes, hipertensão arterial, etc..

Que alimentos devem comer as pessoas mais idosas?

Os idosos, tal como a população portuguesa em geral, em caso de ausência de patologia, devem seguir as recomendações da Nova Roda dos Alimentos. 

Contudo, é importante referir alguns nutrientes mais específicos que podem estar em défice nesta etapa do ciclo de vida. Onde encontrar o cálcio: nos lacticínios, hortícolas de folha verde escura, frutos oleaginosos (nozes, amêndoas…); o ferro: nas carnes, pescado, gema de ovo, leguminosas (feijão, grão de bico …), frutos oleaginosos, hortícolas de folha verde escura; o fósforo: nos lacticínios, pescado, gema de ovo, frutos oleaginosos, leguminosas; o magnésio: nos ereais e derivados pouco refinados, leguminosas, frutos oleaginosos, fruta fresca; o potássio: na fruta, batata, leguminosas, frutos oleaginosos, pescado, cacau; o selénio: no pescado, carne, cereais e derivados pouco refinados; o zinco: no pescado, carnes, gema de ovo, lacticínios, leguminosas, frutos oleaginosos.

Alguns idosos perdem o apetite. O que se deve fazer nesses casos?

1. Faça polifraccionamento adequado, sem saltar refeições e evitando estar mais de 3h sem comer;
2. As refeições devem ser de pequenos volumes e nutricionalmente adequadas, tendo em conta os alimentos que constituem a Nova Roda dos Alimentos;
3. Consuma alimentos nutricionalmente completos, ricos em proteína e fibra e pobres em açúcares, gordura e sal;
4. Garanta uma mastigação adequada ou quando não é possível, altere a textura dos alimentos, triturando-os ou liquidificando-os;
5. As refeições devem ter diversas cores, sabores, formas, texturas e aromas, para aumentar o apetite;
6. O momento de refeição deve ser agravável e num ambiente calmo;
7. Prepare mais quantidade de refeições previamente e congele as porções em recipientes individuais para outras refeições;
8. Evite refeições pré-confeccionados e alimentos enlatados;
9. Ingira água ou infusões regularmente, mesmo que não sinta sede;
10. Modere o consumo de bebidas alcoólicas;
11. Esteja atento às modificações do apetite e do peso. Se possível, controle o peso semanalmente;
12. Caso seja possível, realize caminhadas. A actividade física ajuda estimular o apetite.

Com Ana Rita Lopes, dietista coordenadora da Unidade de Nutrição da Clínica do Hospital Lusíadas de Lisboa