“Estamos a tentar prevenir o que pode acontecer, ou seja, possíveis prejuízos nos negócios, nomeadamente em lojas ou restaurantes [da comunidade chinesa], devido ao receio que as pessoas podem ter e que pode levá-las a evitar esses negócios”, disse à Lusa Y Ping Chow, que tem agendada para esta manhã uma reunião com a Câmara de Vila do Conde, concelho que acolhe a maior comunidade chinesa em Portugal.

O presidente da Liga dos Chineses espera ainda, para quarta-feira, uma reunião com o chefe de gabinete da Secretária de Estado das Migrações, a qual vai convidar para uma visita ao comércio da comunidade chinesa, aguardando por uma resposta positiva para “um sinal de apoio político”.

“Era importante que os poderes públicos e os políticos se juntassem mais com a comunidade chinesa”, observou.

Y Ping Chow considerou que, relativamente a possíveis contágios, “a desconfiança existe sempre” e, “neste momento, sente-se mais nas escolas”.

A isto soma-se o receio de prejuízo nos negócios, que “já aconteceu antes, com anteriores epidemias”, designadamente a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave, detetada na China no fim de 2002).

“Efetivamente os chineses instalados em Portugal fazem muitas viagens à China para realizar as suas compras, mas são alvo de controlo nas entradas em saídas. De qualquer forma, os chineses instalados em Portugal vão pouco à zona do epicentro [do vírus], que é uma zona de indústria pesada”, descreveu Y Ping Chow.

Quanto às recomendações à comunidade chinesa, o presidente da Liga disse que se resumem às orientações gerais dadas pelas autoridades de saúde nacionais – o contacto com as linhas de saúde.

Na sexta-feira, Y Ping Chow alertou que os chineses residentes em Portugal não são “automaticamente portadores de doenças”.

“Francamente, não temos medo de contagiar alguém, isso será algo muito difícil por parte da comunidade que cá [Portugal] vive, porque as entradas e as saídas dos países estão extremamente controladas”, disse.

A possibilidade de algum chinês residente em Portugal ser portador do vírus é tão remota como “poder-lhe sair o euromilhões”, exemplificou.

Contudo, apesar disso, o líder da comunidade chinesa receia que o “medo de contágio” afaste os portugueses dos negócios geridos pelos chineses e que estão espalhados por todo o país, nomeadamente lojas e restaurantes, o que seria um “grande problema”.

A China elevou hoje para 362 mortos e mais de 17 mil infetados o balanço do surto de pneumonia provocado por um novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro passado, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro).

Desde dezembro já surgiram 17.205 casos em toda a China da doença que levou a Organização Mundial de Saúde (OMS) a decretar uma emergência mundial e que já se espalhou a 20 países.

No domingo, morreu a primeira pessoa infetada fora da China, nas Filipinas: um chinês de 44 anos, natural de Wuhan.

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