“Sinto-me agora como se tivesse voltado da guerra, devia ter 20 anos…, e quando me olho ao espelho e vejo a minha cara, não me reconheço…”
Tom Hussey, in: https://www.lense.fr/news/les-reflets-de-tom-hussey/

O choque de se olhar ao espelho…

Sentir que as rugas me enganam, rasgando sulcos no vigor do meu autoconceito e, no entanto, aquele, ali, sou eu, o eu que tem dificuldade de se aceitar como aquele, ali, tão perto, mesmo à frente de mim…

Os mesmos pés que saltaram os muros do destino, as mesmas mãos que agarraram, com toda a força do mundo, os sonhos impossíveis… o mesmo coração que ainda bate em contrapasso e que, como outrora, ainda parece querer saltar do peito, sem qualquer jeito…

Nascemos, crescemos, amadurecemos… e queremos ainda acreditar que somos jovens no envelhecer…

Pergunto-me se é mesmo assim?…

É que oiço algumas, muitas vozes, dizendo sentirem o mesmo que eu sinto em mim!…

Valha-nos a ciência que se apressa a tentar perceber o que é mesmo envelhecer…

Que relação existe entre idade biológica, idade social e idade psicológica? E o que elas querem dizer?1

Talvez não fosse má ideia deixar que o meu cérebro me engane, criando ou mantendo aquela imagem ou sensação de vitalidade, que alimenta o meu atrevimento.

Afinal, a ciência parece confirmar que os outros como eu, acima dos quarenta, sentem-se 20% mais jovens que a sua idade real2

E é essa nossa amiga ciência que parece afirmar que nada há de errado em imaginar uma qualquer virtual idade. Muito menos quando a uma perceção subjetiva de menos idade se associa a funcionalidade, o bem-estar e a perceção de controlo da sua vida1.

Afinal, essa “ilusão” parece ser um preditor do estado de saúde e da qualidade de vida relacionada com a saúde.

E esse dado pode muito bem ser real, se soubermos alimentar a nossa ilusão com comportamentos protetores de saúde, com a magia de uma rede social significativa, e com a alegria de quem sabe receber a graça da vida…

Que venham os anos, que eu cá estarei para os desenganos…

Referências:
1- Batistoni S., Mamba C. (2010). Idade Subjetiva e suas Relações com o Envelhecimento Bem Sucedido.Psicologia em Estudo. Vol.15 (4):733-742.
2- Rubin D., Berntsen D. (2006). People over forty feel 20% younger than their age: Subjective age across the lifespan. Psychonomic Bulletin & Review. Vol. 13 (5):776-780.

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