Os utentes de serviços de Saúde do Alentejo e Algarve, dos 14 aos 65 anos, sobretudo as mulheres, vão ser alvo de um rastreio sobre o fenómeno da violência doméstica, numa iniciativa que arranca no terreno em abril.

O projeto é promovido pela Rede de Intervenção Integrada do Distrito de Évora contra a Violência Doméstica (RIIDE), que atua naquela área específica e envolve entidades como as de saúde, forças de segurança e Universidade de Évora.

O rastreio estava, inicialmente, previsto só para o distrito de Évora, mas a RIIDE “desafiou parceiros” de Beja, Portalegre e do Algarve, tendo vários profissionais e entidades decidido aderir.

“É um projeto que vai abranger toda a zona sul do país para nos permitir conhecer melhor o fenómeno da violência doméstica”, explicou hoje à Agência Lusa Manuel Lopes, da RIIDE e docente da Escola Superior de Enfermagem S. João de Deus, da Universidade de Évora.

Segundo o especialista, também do Centro de Investigação em Ciências e Tecnologias da Saúde da academia alentejana, trata-se de um estudo científico que cujo “desenho” está a ser ultimado.

“O final de março é a meta limite para identificarmos o conjunto de serviços de Saúde que adere e, em abril, começamos a recolher a informação. O objetivo é termos os dados recolhidos e tratados até final de 2013”, disse.

O projeto é apresentado, no sábado, no debate “Um Olhar sobre a Violência Doméstica no Alentejo”, promovido pela RIIDE no principal auditório da universidade e aberto ao público em geral, embora especialmente direcionado para profissionais de saúde, forças de segurança e professores.

Segundo Manuel Lopes, é “uma evidência” que faltam informações estatísticas “colhidas sistematicamente” acerca da violência doméstica, quer para a região, quer para o país, pelo que o rastreio pretende combater esta lacuna.

“Queremos conhecer este fenómeno do ponto de vista quantitativo, ou seja, quantas das pessoas que vão aos serviços de Saúde referem ter sido vítimas de violência no último ano ou em algum momento da sua vida”, explicou.

Ao mesmo tempo, os investigadores vão ter uma abordagem qualitativa para esclarecer qual o tipo de violência, para procurar diferenças em termos culturais, socioeconómicos, de maior ou menor isolamento das pessoas e outras variáveis.

“Com base nos relatos das vítimas identificadas, vamos tipificar o fenómeno, quer do ponto de vista do tipo de violência usada, se era psicológica ou física, ou se foram usadas armas”, exemplificou.

Uma das especificidades é ainda que, ao contrário de outras iniciativas do género, o rastreio vai ser feito presencialmente, não por telefone por exemplo, e pelos próprios profissionais de Saúde.

“Não queríamos introduzir elementos estranhos no processo e os profissionais de Saúde são alguém em que as pessoas já confiam, o que nos garante dados mais fidedignos”, frisou.

O objetivo é compreender melhor este fenómeno, para ajustar as mensagens, ao nível da prevenção, e as respostas para combater a violência doméstica, assim como o próprio atendimento das vítimas nos serviços de Saúde.

24 de fevereiro de 2012

@Lusa

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