24 de janeiro de 2014 - 10h33
Organizações ambientalistas alertaram hoje que a União Europeia poderá a médio prazo estar a consumir combustíveis mais poluentes e a aumentar, em vez de diminuir, a emissão de gases com efeito de estufa.
Segundo um estudo, caso não sejam tomadas medidas urgentes, já em 2020 a Europa poderá estar a consumir crude proveniente de areias betuminosas do Canadá e da Venezuela (onde se situam os maiores depósitos do mundo).
O estudo foi feito pela organização norte-americana Natural Resources Defense Council (de defesa do ambiente) e está a ser divulgado por organizações não-governamentais como a Federação Europeia dos Transportes e Ambiente, a Greenpeace, a Friends of Earth Europe ou a portuguesa Quercus.
Nele alerta-se para o risco de a União Europeia não cumprir algumas das suas metas de redução de emissões com efeito de estufa e lembra-se que os combustíveis dos derivados das areias betuminosas são muito mais poluentes (23 por cento mais do que o petróleo convencional).
As organizações, citando o estudo, asseguram que, se não forem tomadas medidas, dentro de seis anos entre 5,3 e 6,7 por cento dos combustíveis para os transportes europeus terão origem nas areias betuminosas do Canadá.
“Novos oleodutos previstos ou em construção na América do Norte, em combinação com a reconversão de refinarias na Europa, podem tornar a Europa num importante mercado para as areias betuminosas do Canadá. É bom para os produtores do Canadá, já que a procura dos Estados Unidos diminuiu devido ao aumento da produção de petróleo e menor consumo. Mas é mau para a Europa e para os seus esforços para reduzir os impactos nas alterações climáticas”, diz o documento.

A análise da organização norte-americana conclui que as importações europeias de areias betuminosas do Canada poderão aumentar dos 4.000 barris diários de 2012 para 700.000 barris em 2020. O equivalente “a juntar mais seis milhões de veículos nas estradas europeias em 2020” e a aumentar em 1,5 por cento as emissões de gases com efeito de estufa (só considerando as importações do Canadá).
Para que tal não aconteça, a organização ambientalista Quercus defende a revisão da diretiva europeia sobre a Qualidade dos Combustíveis, que foi adotada em 2009 e que visava reduzir as emissões de gases com efeito de estufa em seis por cento até 2020.
“No entanto, a diretiva não diferencia os diferentes combustíveis fósseis, convencionais e não convencionais (como as areias betuminosas) em termos das emissões de gases, e por outro lado não obriga as empresas que distribuem combustíveis rodoviários a comunicar as suas emissões poluentes. Estas regras estão ainda por decidir e implementar, uma situação que a manter-se pode conduzir à entrada no mercado europeu de combustíveis fósseis não convencionais”, avisa a Quercus.
Até agora apenas as refinarias espanholas têm capacidade para refinar crudes pesados (das areias betuminosas) mas a Quercus teme que as portuguesas “sigam o exemplo” de Espanha.
E diz ainda que a introdução desse crude poderá também acarretar custos adicionais para as empresas distribuidoras de combustíveis estimados em quatro mil milhões de euros anuais, “que serão suportados pelos consumidores”.
E depois as empresas, para cumprir as metas de redução de emissões de gases, terão de recorrer a biocombustíveis de produção agrícola, o que terá impactos no ambiente, avisa ainda.
Lusa

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