Dados preliminares avançados à agência Lusa por Carla Rodrigues indicam que em 2021 houve 1.022 dádivas de ovócitos, das quais 28 foram para o SNS e 470 de espermatozoides (20 para o SNS).

Carla Rodrigues explicou que os dadores optam pelo setor privado porque “tem recursos, meios, condições e dá resposta às pessoas”, enquanto no serviço público há falta de profissionais para atender as pessoas que se dirigem para doar, o que exige uma maior disponibilidade de tempo do dador.

O Governo criou mais bancos de recolha de gâmetas (ovócitos e espermatozoides), mas não os dotou do pessoal e dos meios necessários, disse Carla Rodrigues, comentando que “a intenção era muito boa, mas na prática não teve aplicabilidade”.

Por outro lado, explicou, a compensação que os dadores recebem é a que está estipulada por lei, sendo igual no público e no privado, não contribuindo por isso para esta discrepância a nível de doações.

Em 2019, ano em que foi registado um pico de dádivas, houve 1.182 doações de ovócitos e 841 de espermatozoides, número que baixaram em 2020 para 875 doações de ovócitos e 428 de espermatozoides.

Analisando os dados, a presidente do CNPMA afirmou que as “não chegam para as necessidades nem do privado, quanto mais do público”.

“Há muito mais dadoras mulheres do que homens e nós temos muito mais carências de gâmetas masculinos do que femininos”, alertou.

No SNS, lamentou, praticamente não se fazem tratamentos com gâmetas doados, porque não há gâmetas disponíveis, além de a espera ser de cerca de três anos e meio para estes tratamentos.

As pessoas acabam por recorrer aos centros privados, mas mesmo o privado não é autossuficiente, sobretudo em gâmetas masculinos, importando-os do estrangeiro para poder responder à procura.

“A taxa de incidência de infertilidade conjugal aumenta ano após ano. Portanto, a carência de gâmetas para tratamentos também aumenta ano após ano e não há um aumento proporcional da disponibilidade de gâmetas”, observou.

Depois também aumenta ano após ano o número de tratamentos que são feitos por casais de mulheres e mulheres sozinhas.

“A procura é cada vez maior e a resposta no SNS é cada vez menor, e a pandemia veio agravar um problema que já de si, era muito grave” porque houve necessidade de encerrar os centros durante “um grande período de tempo e não conseguiram recuperar as listas de espera”.

Para aumentar as dádivas de espermatozoides, Carla Rodrigues defendeu que "é preciso talvez maior sensibilização dos homens para serem dadores".

A este propósito, disse que seria interessante fazer um estudo sobre o perfil dos dadores femininos e masculinos em Portugal, sobretudo na altura em que passou a haver a possibilidade de as crianças nascidas terem conhecimento da identidade do seu dador.

“Há alguns fenómenos que nos mostraram que há um perfil diferente das dadoras mulheres e dos dadores homens”, disse Carla Rodrigues, que falava à Lusa a propósito da passagem dos três anos da entrada em vigor da lei que acaba com o anonimato nas doações para PMA.

“Eu não quero ser injusta nesta afirmação, mas há uma maior sensibilidade das mulheres para estas necessidades. Ou seja, uma mulher sente mais empatia com um caso de infertilidade de outra mulher do que um homem”, comentou.

Carla Rodrigues contou que quando se discutiu a lei muitas mulheres procuraram os centros para saber como podiam doar, com muitas a dizer que nem sabiam que havia esta carência e que o podiam doar.

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