A síndrome de Asperger, foi o nome usado para descrever as Perturbações do Espectro do Autismo (PEA) com expressão mais ligeira. Na última revisão do manual de diagnóstico mais aceite para as perturbações do neurodesenvolvimento, a designação síndrome de Asperger desapareceu como diagnóstico. Também, na mais recente classificação de doenças da Organização Mundial da Saúde, esta síndrome deixa de existir e passa a integrar as Perturbações do Espectro do Autismo.

A síndrome de Asperger, servia assim para descrever as crianças com PEA, com melhor funcionamento, ou seja, crianças com défice nas áreas da comunicação, interação social e no funcionamento, mas sem atraso significativo na linguagem, apesar de serem quase sempre manifestas alterações da prosódia (entoação e ritmo da linguagem) e desadequação pragmática da linguagem, com dificuldades de perceberem segundos sentidos e linguagem humorística. Estas crianças têm também um nível cognitivo normal ou mesmo acima da média em algumas áreas do seu interesse.

 Perturbação do Espectro do Autismo - o que é?

A PEA é uma perturbação do neurodesenvolvimento que afeta o funcionamento mental e que, na grande maioria dos casos, tem origem pré́-natal. É uma perturbação crónica e, como tal, persiste ao longo de toda a vida do indivíduo, com um grau muito variado de comprometimento funcional. A sua prevalência em países europeus, em 2006, era em média de 6 casos por 1000 pessoas e é 4 vezes mais frequente em rapazes do que em raparigas.

Quais as causas?

A etiologia das PEA é desconhecida, provavelmente genética (envolvendo vários genes) e multifatorial (vários fatores podem estar presentes), existindo uma interação entre os diferentes genes presentes e entre estes e o meio ambiente.

A qualidade da relação mãe/bebé, a educação, ou o estatuto socioeconómico não têm nenhuma influência na origem da PEA e não foi encontrada nenhuma correlação entre a PEA e a existência de intolerâncias alimentares, o uso de determinadas vacinas ou a exposição (pré́ ou pós-natal) a agentes externos, nomeadamente álcool, tabaco ou metais pesados. Também não existe nenhuma relação entre PEA e maior risco de comportamentos violentos.

Porque é importante o diagnóstico e intervenção?

O diagnóstico e a intervenção dirigida o mais precocemente possível melhoram o prognóstico. O diagnóstico é clínico, baseado em critérios definidos, obtido através de entrevista clínica, avaliação do desenvolvimento e avaliação do comportamento. O acompanhamento adequado que se segue ao diagnóstico deve facultar o treino de competências (sociais, de comunicação e de autonomia), o suporte familiar e o apoio social.

As intervenções terapêuticas devem ter como objetivo ajudar as pessoas com PEA a usarem da melhor forma as suas competências e a melhor conviverem com as suas especificidades. A abordagem terapêutica da PEA é, necessariamente, multidisciplinar.

Um artigo da médica Sílvia Afonso, pediatra na Consulta de Desenvolvimento do Hospital CUF Santarém.

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