"O Ministério da Saúde informa que o Coordenador da Task Force para a Elaboração do Plano de Vacinação contra a COVID-19 em Portugal, Dr. Francisco Ventura Ramos, renunciou ontem ao cargo, por irregularidades detetadas pelo próprio no processo de seleção de profissionais de saúde no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, do qual é presidente da comissão executiva", informa o Ministério da Saúde em comunicado.

"O funcionamento da Task Force mantém-se assegurado pelos restantes membros do núcleo de coordenação, nomeados pelo Despacho n.º 11737/2020", conclui a nota.

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Numa declaração enviada às redações, Francisco Ramos acrescentou que as irregularidades diziam respeito ao processo de seleção para vacinação de profissionais de saúde daquele hospital.

“Ao tomar conhecimento de irregularidades no processo de seleção para vacinação de profissionais de saúde do Hospital da Cruz Vermelha, do qual sou Presidente da Comissão Executiva, considero que não se reúnem as condições para me manter no cargo de coordenador da task force para a elaboração do Plano de Vacinação Contra a COVID-19 em Portugal. Assim, apresentei ontem, dia 2 de fevereiro de 2021, à Senhora Ministra da Saúde, a renúncia ao cargo”, escreveu na declaração.

Funcionamento da task force mantém-se

O Ministério da Saúde indicou que o funcionamento da `task force´ “mantém-se assegurado pelos restantes membros do núcleo de coordenação”.

O despacho que determinou a criação da 'task force' para o Plano de Vacinação contra a COVID-19 foi publicado a 26 de novembro do ano passado e Francisco Ramos foi nomeado para a sua coordenação.

Este despacho designava Francisco Ramos como coordenador da 'task force', prevendo um núcleo de coordenação composto por elementos do Ministério da Defesa Nacional, Ministério da Administração Interna, Direção-Geral da Saúde e Autoridade Nacional do Medicamento.

A 16 de dezembro de 2020, o Hospital da Cruz Vermelha elegeu em assembleia-geral o novo Conselho de Administração, integrando dois ex-secretários de Estado da Saúde, Francisco Ramos e Manuel Teixeira, que entraram em funções de imediato.

A assembleia-geral do Hospital da Cruz Vermelha, realizou-se no seguimento da compra pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) de 55% do capital da Sociedade Gestora do Hospital da Cruz Vermelha, formalizada na segunda-feira.

A 'task-force' criada pelo Governo para coordenar todo o plano de vacinação contra a COVID-19, desde a estratégia de vacinação à operação logística de armazenamento, distribuição e administração das vacinas, teve um mês para definir todo o processo.

Ao núcleo de coordenação da `task-force´ competiu entregar em 30 dias todos os documentos necessários para definir na totalidade o plano de vacinação contra a COVID-19, tanto do ponto de vista da logística (armazenamento e distribuição das diferentes vacinas), como da estratégia de vacinação (identificação dos grupos alvo prioritários, administração e seguimento clínico de resultados e reações adversas).

A 28 de novembro, o bastonário e o Gabinete de Crise para a COVID-19 da Ordem dos Médicos pediram transparência, equidade e fundamentação na vacinação contra o novo coronavírus, manifestando disponibilidade para colaborar na proposta de vacinação nacional.

No final do ano, a questão de quem deveria ter prioridade nas vacinas à COVID-19 gerou polémica em Portugal, com a possibilidade, noticiada na imprensa, de que maiores de 75 anos sem comorbilidades ficavam de fora do acesso prioritário à vacina.

A situação surgiu por haver uma proposta de especialistas da Direção-Geral da Saúde (DGS) de que pessoas entre os 50 e os 75 anos com doenças graves, funcionários e utentes de lares de idosos e profissionais de saúde devem ser os primeiros a ser vacinados.

Francisco Ramos disso então à Lusa que a proposta apresentada pela DGS não tinha “qualquer limite de idade para as pessoas internadas em lares”.

A 03 de dezembro, Francisco Ramos apresentou no Infarmed a versão preliminar do Plano de Vacinação, garantindo que a operação logística da vacinação contra a COVID-19 pretendia ser “mais robusta” e centralizada do que habitualmente, funcionando numa “lógica de comando e controlo”.

Poucos dias depois, o ex-secretário de Estado foi à Assembleia da República prestar esclarecimentos aos deputados da Comissão de Saúde e da Comissão Eventual para o acompanhamento da aplicação das medidas de resposta à pandemia.

Já a 17 de dezembro, Francisco Ramos encontrou-se com os jornalistas para apresentar a versão definitiva do plano de vacinação, tendo anunciado que as primeiras vacinas contra a COVID-19 chegariam a Portugal a 24 ou 26 de dezembro e estimando que até abril serão vacinadas 950 mil pessoas.

Mais recentemente, a 28 de janeiro, o ex-coordenador da task force apresentou a atualização do plano de vacinação, que teve como principal novidade a inclusão de todas as pessoas com mais de 80 anos de idade na primeira fase do plano de vacinação contra a COVID-19.

Polémicas com as vacinas

Francisco Ramos deixa o cargo numa altura em que são públicas diversas situações de vacinação indevida de várias pessoas em várias regiões do país, o que levou, na segunda-feira, o PSD a pedir o agendamento de uma audição do coordenador da ‘task force’.

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A pandemia de COVID-19 provocou, pelo menos, 2.253.813 mortos resultantes de mais de 103,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Portugal registou hoje 240 mortes relacionadas com a COVID-19 e 9.083 casos de infeção com o novo coronavirus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS). O boletim da DGS revela também que estão internadas 6.684 pessoas, menos 91 do que na terça-feira, das quais 877 em unidades de cuidados intensivos, mais 25.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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