O processo de adoção do recém-nascido encontrado no lixo, em Lisboa, poderá ficar concluído em menos de um ano, informa a Rádio Renascença.

A convicção é da própria presidente do Instituo de Apoio à Criança e antiga procuradora do Tribunal de Menores. "Casos deste tipo em menos de um ano estão resolvidos, sendo entregue a uma família", disse Dulce Rocha, presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC), à referida estação de rádio.

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A procuradora salvaguarda que não está a par dos desenvolvimentos e das circunstâncias do caso. "Num caso tão óbvio que é o de rejeição da criança e de abandono, inclusive de pôr em perigo a vida, o que me parece é que o destino da criança deve ser um projeto de vida de adoção", acrescentou.

O desespero, um contexto de miséria, pobreza e isolamento são algumas das circunstâncias comuns a estes casos de abandono grave, disse Dulce Rocha numa outra entrevista, desta vez ao Diário de Notícias.

O recém-nascido, do sexo masculino, continua internado no Hospital D. Estefânia, e está livre de perigo. Nas redes sociais, mas também nos meios de comunicação social, tem sido divulgado o vídeo do momento do resgate da criança:

A Polícia de Segurança Pública (PSP) referiu que o bebé foi encontrado ao final da tarde no interior de um caixote do lixo junto à discoteca Lux, na Avenida Infante D. Henrique, em Santa Apolónia. "Ainda com vestígios do cordão umbilical", afirmou fonte da PSP.

PJ já tem imagens de videovigilância

Segundo o jornal Expresso, a Polícia Judiciária (PJ) tem desde quarta-feira imagens de videovigilância que abrangem o ecoponto junto à discoteca Lux, em Lisboa, onde um recém-nascido foi abandonado horas depois do parto. As imagens foram entregues à PJ pelo Terminal de Cruzeiros de Lisboa.

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Segundo André Serra, do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, foi um "cidadão sem-abrigo que ao passar no local ouviu sons no interior do caixote do lixo e ao abrir deparou com um recém-nascido sem qualquer tipo de proteção, roupa ou agasalho, simplesmente dentro do caixote como nasceu".

O Instituto Nacional de Emergência Médica partilhou na quarta-feira no Instagram uma fotografia tirada à criança momentos depois do resgate.

Os responsáveis pelo abandono da criança incorrem no crime de exposição ao abandono de menor ou mesmo de infanticídio, dependendo da motivação do abandono, disse fonte da PSP.

Entretanto, o Ministério Público anunciou a instauração de um inquérito para averiguar o caso do recém-nascido, que "está clinicamente estável", segundo o hospital.

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