Esta investigação identificou o mecanismo de desenvolvimento da população-alvo, um subtipo de linfócitos T com propriedades inflamatórias e anti-tumorais. Esta população produz elevadas quantidades de uma substância, o interferão-gama, implicada em respostas a infeções e tumores, mas também em doenças inflamatórias e autoimunes.

Bruno Silva-Santos, investigador do Instituto de Medicina Molecular de Lisboa créditos: DR

Os linfócitos T, ou células T, são um grupo de glóbulos brancos (leucócitos) responsáveis pela defesa do organismo contra microorganismos e tumores. São produzidos no timo, um órgão localizado acima do coração, e são exportados, percorrendo o organismo através da circulação sanguínea, para diversos órgãos.

Os linfócitos T protegem-nos, nomeadamente, através de substâncias (ditas citocinas) como o interferão-gama. No entanto, se em excesso, o interferão-gama pode causar danos no organismo, na forma de inflamação aguda ou crónica (associada a doenças autoimunes como a diabetes ou a doença de Crohn).

O estudo, agora publicado, mostra que a geração de um grupo de linfócitos T que produz níveis muito elevados de interferão-gama requer sinais fortes através do recetor de células T no timo. Para obter esta conclusão, a equipa de investigadores gerou um modelo animal em que esses sinais foram atenuados geneticamente, o que resultou na perda específica dessa população de linfócitos T e na deficiência de produção de interferão-gama.

Como resultado, este modelo não desenvolveu a doença inflamatória cerebral tipicamente associada à infeção por malária, a qual depende do interferão-gama. Este novo modelo poderá agora ser usado também para estudar respostas a tumores, uma área de eleição da equipa de Bruno Silva-Santos, que ambiciona desenvolver uma nova imunoterapia para o cancro baseado neste tipo de população de linfócitos T.

Este trabalho foi financiado pelo European Research Council (Comissão Europeia) e foi realizado em colaboração com a Universidade Complutense, em Madrid, através de um estudante de doutoramento, Miguel Muñoz-Ruiz, partilhado entre as instituições portuguesa e espanhola. O projeto no iMM Lisboa decorreu durante dois anos e três meses, até à aceitação do trabalho para publicação na Nature Immunology.

Quem é Bruno Silva-Santos?

Bruno Silva-Santos é vice-diretor do Instituto de Medicina Molecular (iMM Lisboa) e professor associado com Agregação da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL). Dirige uma equipa de investigação na área da Imunologia no IMM e ensina os estudantes de Medicina e Ciências da Saúde da FMUL desde 2005/ 2006.

Bruno Silva-Santos doutorou-se em Imunologia pelo University College de Londres em 2002, inserido no Programa Gulbenkian de Doutoramento em Biologia e Medicina. Durante os seus 7 anos em Londres, Bruno Silva-Santos trabalhou no Cancer Research UK (1998-2002) e no King's College London (2002-2005), onde foi eleito Jovem Investigador do Ano em 2005.

Em 2006, aquando do seu regresso a Portugal, Bruno Silva-Santos foi galardoado pela European Molecular Biology Organization (EMBO) com uma Installation Grant e, em 2010 foi eleito Young Investigator da EMBO. Ainda em 2010, juntou-se à prestigiada rede de vencedores das Starting Grants do ERC-European Research Council, que em 2015 lhe atribuiu financiamento para a fase seguinte da sua carreira – Consolidator Grant.

Bruno Silva Santos publicou múltiplos artigos científicos nas revistas internacionais mais conceituadas, como Science, Nature e Nature Immunology, entre outras. Recebeu o Prémio Pfizer em Investigação Clínica em 2009, e em 2011 foi nomeado membro da European Academy of Tumor Immunology.

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