“Não podemos colocar nos médicos de família o ónus de conseguirem uma boa resposta à pandemia, deixando, simultaneamente, que recaia sobre esses mesmos médicos o descontentamento dos seus doentes de sempre. Os mesmos médicos não conseguem ao mesmo tempo dar resposta aos doentes covid-19 e aos doentes não-covid”, pode ler-se na nota enviada às redações.

De acordo com a OM, os constrangimentos atuais partem de “problemas antigos e basilares” e alertou para a “lista excessiva de 1900 doentes para acompanhar” por estes profissionais de saúde, bem como a existência de quase um milhão de pessoas sem médico de família e a sobreposição do trabalho com tarefas burocráticas.

Contrapondo o “trabalho de excelência” dos médicos de família portugueses no acompanhamento de doentes infetados com o novo coronavírus a condicionamentos imputados ao próprio Ministério da Saúde, a Ordem enfatizou a necessidade de acelerar a resposta aos doentes com outras patologias.

“Os médicos de família querem consultar os seus doentes e dar continuidade à vigilância dos doentes crónicos para que não se percam os ganhos em saúde que o controlo das doenças crónicas permitiu ao longo dos últimos anos. Esta missão, em grande parte impedida pelo Ministério da Saúde, ao continuar a concentrar a atividade de muitos médicos de família no combate à pandemia (…), tem de ser recuperada”, refere o comunicado.

Consequentemente, a Ordem dos Médicos exigiu ao ministério liderado por Marta Temido o cumprimento da sua “obrigação ética” com a libertação dos médicos de família para as respetivas funções habituais e para que seja reposta a “normalidade do exercício da medicina”, com respeito pelas necessidades da população.

“Os nossos doentes de sempre não podem continuar a ser prejudicados. É possível e desejável criar equipas e linhas diretas próprias para responder às necessidades dos doentes covid-19 que não precisam de estar internados em meio hospitalar. Se necessário recorrendo a todo o sistema de saúde”.

Portugal contabiliza pelo menos 1.963 mortos associados à covid-19 em 74.717 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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