O Ministério da Saúde alargou por mais três anos o período de contratação de médicos aposentados e aprovou medidas de incentivo para médicos em regime de mobilidade parcial e para os que fixem em zonas carenciadas do país.

Em declarações à agência Lusa, José Manuel Silva considerou que as medidas anunciadas são “positivas e naturalmente apoiadas" pela Ordem dos Médicos, mas “não são muito extensivas” no caso das ajudas de custo e que podem pecar por “tardias para travar o fluxo emigratório” que já se está a fazer sentir.

“Na questão dos médicos que vão receber 200 euros de ajudas de custo por dia quem ler o título pensa que todos os médicos que trabalham a 60 quilómetros de casa o vão receber. Não é verdade, só se aplica a médicos que trabalhem em dois hospitais que distem esta distância e, que eu saiba, isso só acontece no centro hospitalar do Algarve, logo, só tem impacto regional e só se um médico for fazer um período de 24 horas seguidas, caso contrário é menor [a retribuição]”, explicou José Manuel Silva.

Apesar de saber das medidas do Governo apenas pela comunicação social, uma vez que ainda não teve conhecimento oficial dos diplomas, o bastonário da Ordem dos médicos, salientou que aquele organismo há muito que defende a discriminação positiva para os clínicos que forem para o interior.

“É positivo que se avance neste sentido para fixar os médicos no interior, não sabemos se será suficiente para evitar o fluxo emigratório que já se criou e do qual os médicos dão uma informação de retorno muito positiva. Não sabemos se será suficiente ou se será tardio para suster o fluxo emigratório”, ressalvou.

O clínico lembrou ainda a especificidade da profissão, sublinhando que há questões específicas da atividade médica que devem ser respeitadas, nomeadamente, no que diz respeito à idade a partir da qual procuram emprego.

“Em qualquer profissão, as pessoas procuram trabalho aos 23 anos e os médicos, devido à especialidade, só por volta dos 30 o fazem, quando já têm compromissos e família. A questão da mobilidade é complexa, tem de ser tido em conta, senão o que acontece é a emigração”, argumentou.

Em relação ao diploma que diz respeito aos médicos reformados, José Manuel Silva considera-o igualmente positivo, já que “permite que o clínico acumule a reforma e, caso aceite voltar a trabalhar, seja minimamente recompensado”, embora reconheça que o “estímulo possa ser baixo”.

O bastonário explicou que é um diploma que terá de ser avaliado na sua aplicação, considerando que o mesmo devia ter sido aplicado há três anos.

“Temos médicos de família em Portugal suficientes para dar um médico de família a todos os portugueses, mas, como temos um hiato geracional, neste momento há cerca de dois mil internos da medicina geral e familiar e, daqui a alguns anos, haverá especialistas para cobrir todo o país, se não emigrarem, mas se esta medida tivesse sido tomada há mais tempo todos os portugueses tinham médico”, concluiu.

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