Um artigo que acaba de ser publicado na revista Brain revela que existem áreas do nosso cérebro que podem estar muito mais quentes do que se pensava - a temperatura da massa cinzenta pode mesmo estar entre os 36 e os 41 graus.

No entanto, segundo o estudo, o cérebro não funciona sempre à mesma temperatura. Ao longo do dia, e dependendo da atividade neuronal, a temperatura deste órgão do corpo humano vai flutuando.

"Concretamente, entre os voluntários saudáveis do grupo de controlo no estudo, a temperatura cerebral oscilou entre os 36 e os 41 graus, com 38,5 graus de média. Por outro lado, nos pacientes que tinham sofrido danos cerebrais decorrentes de um traumatismo, a temperatura variou ainda mais, entre os 32,6 e os 42,3 graus, sem alterar a média", explica no jornal El País o professor catedrático Guillermo López Lluch, especialista em Biologia Celular na Universidade Pablo de Olavide.

Segundo o investigador, a temperatura do corpo humano depende quase exclusivamente da atividade das mitocôndrias, a estrutura celular que produz energia dentro das células. É essa energia que produz calor e que mantém a temperatura corporal.

"As mitocôndrias apresentam uma série de proteínas que dissipam energia. Essas proteínas, conhecidas como UCP (ou proteínas de desacoplamento), são muito abundantes no tecido adiposo, especialmente no castanho", acrescenta.

Segundo o professor, o "cérebro é responsável por 20% de toda a energia que consumimos ao longo do dia". "Em recém-nascidos pode chegar a 80%", frisa.

Não é o primeiro estudo a sugerir que as temperaturas do corpo e do cérebro flutuam ao longo do dia. "A temperatura cerebral é mais alta pela manhã, cai ao longo da tarde e atinge seu nível mais baixo à noite. Além disso, as flutuações também dependem das atividades que estamos a realizar. As áreas que apresentam maior variação são as mais profundas, inclusivamente aquelas onde reside a memória, como o hipotálamo", explica.

Este estudo descobriu que os pacientes com lesão cerebral traumática perdem parte dessa capacidade de flutuação da temperatura. "Essa perda de capacidade tem sido relacionada a um risco aumentado de morte, possivelmente devido a disfunções na atividade mitocondrial", adianta Guillermo López Lluch.

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