O número de portugueses com alzheimer, a forma de demência mais comum, que atinge atualmente cerca de 100.000 portugueses, pode triplicar até 2050. O alerta é feito por especialistas internacionais no relatório "Dementia in Europe Yearbook 2019" e corroborado por médicos nacionais como Miguel Viana Baptista, médico neurologista no Hospital CUF Infante Santo, diretor do Serviço de Neurologia do Hospital Egas Moniz do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental e professor na Universidade Nova de Lisboa.

"É preciso ter noção de que, mesmo com a notória melhoria dos cuidados aos doentes, a tendência aponta para que a esperança média de vida da generalidade da população aumente, fruto de a capacidade da medicina tratar outras doenças, e, sendo a idade o principal fator de risco para a demência, essa subida é uma inevitabilidade", assume o especialista em entrevista à edição de setembro da revista Prevenir. "É possível travar a doença de Alzheimer e garantir a qualidade de vida", garante, contudo, o neurologista.

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"Ainda que não exista uma cura, numa perspetiva dirigida e global, dispomos de estratégias terapêuticas que protelam a dependência do doente", sublinha Miguel Viana Baptista. "Já se tentaram vacinas, sem sucesso. Sabemos que estão a ser estudados novos fármacos, mas teremos de aguardar e concentrar-nos no que realmente dispomos", insiste o médico neurologista. "Apesar de não trazerem a memória de volta, os fármacos antidemenciais melhoram a atenção e a capacidade de concentração e ajudam a otimizar os recursos cerebrais. Exemplo disso são os inibidores da acetilcolinestérase", esclarece ainda este profissional de saúde.

"Permitem ter mais acetilcolina, o neurotransmissor que não existe na doença de Alzheimer, a funcionar e os antagonistas dos recetores N-metil-D-aspartato, também conhecidos por memantina, que aliviam sintomas nas fases intermédias e avançadas", refere Miguel Viana Baptista, apologista da estimulação cognitiva. "Seja por via palavras cruzadas, de [jogos como o] sudoku ou de programas informáticos, estas intervenções podem ser aconselhadas e adaptadas às falhas cognitivas do doente", defende ainda.

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