26 de março de 2014 - 09h22
O presidente da Câmara de Lisboa defendeu hoje o projeto de urbanização para a Colina de Santana e frisou que nenhum hospital deve ser encerrado enquanto não abrir o novo Hospital de Todos os Santos.
“Lisboa necessita de uma nova unidade hospitalar moderna que substitua velhos hospitais que se localizam na Colina de Santana, mas é essencial garantir que nenhuma unidade hospitalar encerre sem que a nova esteja em funcionamento”, afirmou António Costa.
O autarca falava na sexta e última reunião da assembleia municipal sobre a Colina de Santana, na qual foram aprovadas as recomendações deste órgão à câmara sobre aquele processo.
O Projeto Urbano da Colina de Santana é da responsabilidade da Estamo (imobiliária de capitais públicos, proprietária dos imóveis e dos terrenos em causa), abrange cerca de 16 hectares e prevê o encerramento dos hospitais São José, Miguel Bombarda (já concretizado), Capuchos, Desterro (também já concretizado) e Santa Marta.
Para o socialista, importa ainda assegurar que a memória e o património daquele local sejam preservados e não criar novas zonas de abandono da cidade.
António Costa lembrou aos deputados municipais que o processo da Colina de Santana surgiu em 2007, quando foi aprovada por unanimidade na assembleia municipal uma deliberação que previa o encerramento dos hospitais da Colina de Santana “por estarem muito degradados e sem condições de expansão" e a transferência dos seus serviços para um hospital novo.
Afirmando que a colina teve a maior perda de população da última década, o presidente da câmara defendeu que tem agora uma “oportunidade acrescida de regeneração”.
“Não vejo este processo como só uma oportunidade para a colina, transcende a colina. É também uma grande oportunidade de criar uma nova centralidade na zona oriental de Lisboa”, disse.
Muito crítico ao processo da Colina de Santana, o deputado Modesto Navarro, do PCP, disse que “tudo fará para defender e projetar os hospitais na Colina de Santana num futuro melhor para a saúde das populações da cidade”.
Afirmando que este processo é um “grande centrão de negócios" para o PSD e o CDS-PP no Governo e para o PS no município, Modesto Navarro sublinhou que irá lutar contra esses negócios.

Por seu lado, Ricardo Robles, do BE, considerou que esta é a “maior operação de especulação imobiliária dos últimos anos”.
“São 16 hectares, no coração de Lisboa, entre duas grandes avenidas”, e um processo com “vários erros: ausência de discussão pública e falta de transparência”, afirmou o deputado.
Pelo PEV, Cláudia Madeira lamentou que as recomendações da assembleia não reflitam a principal contestação da população nos debates: “As pessoas não querem o projeto da ESTAMO para a Colina de Santana, querem e precisam de cuidados de saúde”.
António Arruda, do MPT, manifestou-se contra o fecho dos hospitais, que considera “pura especulação imobiliária numa cidade que não necessita de novas construções”, enquanto Miguel Costa Santos, do PAN, considerou que “tirar todos os hospitais de uma zona central de Lisboa não é concebível”.
Do lado do PSD, Victor Gonçalves lembrou que a Colina de Santana é uma zona muito degradada e defendeu que aquela é uma oportunidade para ser reabilitada.
Também Maria Luísa Aldim, do CDS, disse que “a Colina está envelhecida e é dever dos responsáveis municipais agir”.
Pelo PS, Simonetta Luz Afonso lembrou a importância de se preservar o património e as memórias da Colina de Santana, afirmando que se trata de sete séculos da saúde, da cidade e do país”, dos quais há arquivos, mobiliário, equipamento médico e arquivo fotográfico dos doentes, entre outros.
Do lado dos independentes, Miguel Graça disse que este foi um “processo que nasceu torto mas até se endireitou” e que as recomendações aprovadas espelham o esforço de consenso alcançado na assembleia municipal.
Lusa

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