De partida da Argentina em direção a África do Sul, onde já se verificou um caso confirmado do COVID-19, o navio-escola vai percorrer vários portos em países onde existem muitos casos da doença.

A celebrar os 500 anos da viagem de circum-navegação de Fernão de Magalhães, Maurício Camilo explicou que a tripulação já recebei instruções da marinha portuguesa quanto aos riscos de saúde.

“Neste momento, não há nenhum tipo de temor nem de preocupação. Temos de gerir as coisas de forma muito racional”, explicou à Lusa o comandante António Manuel Maurício Camilo.

O Navio-Escola Sagres tem como meta chegar à Cidade do Cabo (África do Sul) no dia 27 de março e a Maputo (Moçambique) em 9 de abril. No dia 24 de abril, a previsão é chegar à Maurícia.

A 20 de maio, o navio deverá chegar a Singapura, onde existem muitos casos da doença, à semelhança das Filipinas e Indonésia, onde o surto continua a aumentar.

O Navio-Escola ainda navega para sair do Rio da Prata onde esteve nos portos de Montevidéu (Uruguai) e Buenos Aires (Argentina). Na capital uruguaia, recebeu mais de 2.700 visitas em dois dias e meio. Na capital argentina, foram mais de 2.300 visitas num dia e meio.

“Estou em contacto com a Marinha em Lisboa e já temos algumas indicações daquelas ações mínimas de cuidado com pessoas que apresentarem sintomas. Temos indicações sobre aquilo ao qual devemos estar atentos, mas estamos tranquilos”, assegura o comandante Maurício Camilo, explicando que o diálogo é feito através do médico a bordo do Sagres.

O surto que assusta o mundo despontou quando a Sagres já tinha deixado Cabo Verde, segunda paragem da viagem de circum-navegação.

“Nós já estávamos a navegar quando surgiu o coronavírus. Tínhamos passado por Cabo Verde a caminho do Rio de Janeiro. Obviamente que a situação agora está mais complicada do que há um mês, mas nós estamos a navegar por zonas sem risco” elevado, considera Maurício Camilo.

Agora, o desafio é apenas marítimo na travessia do Atlântico Sul: a corrente das Agulhas, uma complexa corrente oceânica cujo nome provém do Cabo das Agulhas, o ponto mais austral da África.

“O desafio é chegar no dia 27 de março à Cidade do Cabo. Teoricamente, nesta latitude e nesta altura do ano, é uma viagem relativamente simples de se fazer”, avalia o comandante.

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