Um estudo internacional sobre contraceção, que é apresentado hoje em Atenas, revela que persistem “importantes lacunas” ao nível do conhecimento e também mitos e conceitos errados sobre os métodos contracetivos utilizados pelas mulheres.

Uma em dez mulheres afirmou erradamente que os contracetivos de longa duração não são tão eficazes como a pílula na prevenção da gravidez e que esses métodos, como os sistemas intrauterinos e o implante, por exemplo, são soluções permanentes, ou seja, irreversíveis.

Aproximadamente metade das mulheres analisadas (44 por cento) estão atualmente a usar a pílula como método contracetivo, o preservativo foi referenciado por 38 por cento das inquiridas, como forma de contraceção, apenas dois por cento utiliza atualmente o implante, três por cento o anel vaginal e quatro por cento o dispositivo intrauterino.

O estudo “I Plan On…” foi conduzido pela empresa independente de pesquisa Growth for Knowledge (GfK) em nove países - Austrália, Brasil, França, Alemanha, México, Rússia, Espanha, Reino Unido e EUA - entre 22 de setembro a 06 de outubro de 2011. Foram inquiridas a partir de um questionário “online” 4.199 mulheres, com idades compreendidas entre os 18 e os 35 anos.

Os autores do inquérito – a que a Lusa teve acesso – referem “uma clara necessidade em aumentar a consciencialização sobre as opções existentes e disponíveis na área da contraceção e, ao mesmo tempo, proporcionar um melhor conhecimento para que as mulheres possam tomar decisões informadas”.

A maioria dos profissionais de saúde apresenta a pílula e o preservativo como os métodos-chave de contraceção. Apenas 16 por cento das inquiridas disseram que o seu médico lhes falou do anel vaginal, 13 por cento do implante e 19 por cento debateram o Dispositivo Intrauterino (DIU) com o seu médico.

O estudo “I Plan On…” conclui ainda que mais de um quarto das mulheres acreditam que as pílulas anticoncecionais são eficazes, independentemente da altura em que são tomadas, quando na realidade, são mais eficazes se tomadas na mesma altura do dia.

Cerca de metade das mulheres analisadas acredita que todas as formas de contraceção obriga-as a fazer algo regularmente (ou seja, tomar ou aplicar) para que estes sejam eficazes e cada três em quatro julga que todos os tipos de contraceção exigem, pelo menos, visitas anuais com um profissional de saúde para obter uma prescrição. O facto é que nem todos os contracetivos necessitam de administração ou aplicação regular pelo utilizador de forma a ser eficaz.

Em declarações à Lusa, a ginecologista Ana Rosa Costa disse não ter ficado surpreendida com os resultados deste inquérito, considerando que, apesar de não ter incluído Portugal, “se calhar na nossa população, os resultados seriam os mesmos”.

A contraceção oral é a escolha da maior parte das mulheres, “provavelmente porque têm falta de informação e de aconselhamento por parte dos médicos quando vão à procura de um método contracetivo, ou porque a pílula já era usada na família e pelas amigas”, disse a médica.

Ana Rosa Costa referiu que “as mulheres ainda confundem alguns métodos alternativos com a laqueação, quando na realidade são reversíveis, têm uma eficácia elevadíssima e alguns têm algum efeito terapêutico”.

Aliás, salientou a especialista, os sistemas intrauterinos ou mesmo o implante “são métodos que acabam por ter um custo-eficácia superior ao contracetivo hormonal por via oral”.

“São comparticipados, são de longa duração e se forem retirados quando acaba o prazo acabam por ficar mais económicos do que estar a fazer pílula diária ou, mesmo, a interrupção da gravidez, que acarreta muitos custos para a sociedade, apesar de ser legal até às 10 semanas”, acrescentou.

O estudo é apresentado no 12.º Congresso da Sociedade Europeia da Contraceção que decorre, em Atenas, na Grécia, até sábado.

Lusa

2012-06-22

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