O mês de setembro foi particularmente importante para a Saúde Sexual e Reprodutiva (SSR). No dia 4 de setembro assinalou-se o Dia da Saúde Sexual, a 26 de setembro o Dia Mundial da Contraceção e em 28 de setembro o Dia do Aborto Seguro.

De facto, várias comemorações dentro do mesmo âmbito é um reforço para a importância da saúde e direitos sexuais e reprodutivo, em todas as suas vertentes e de forma multidisciplinar.

Vivemos num mundo onde permanecem muitas desigualdades. O número de mulheres com necessidades contracetivas é elevado sobretudo em países de baixo e médio rendimento. As mulheres e casais não têm escolhas, as gravidezes não são planeadas e por vezes não desejadas e as mulheres morrem em idades jovens por complicações na gravidez, parto e de aborto não seguro.

O elevado número de mulheres com necessidades contracetivas não satisfeitas é também uma realidade (270 milhões têm necessidade de usar contraceção, mas não tem acesso a um método). Estas mulheres vivem predominante em países de baixo rendimento e /ou com legislações restritivas no âmbito da saúde sexual e reprodutiva. Como resultado temos a gravidez não planeada e não desejada e o recurso ao aborto. No mundo, nos países onde o aborto é ilegal estima-se que ocorram 223 mortes maternas por 100 000 nascimentos e nos países onde o aborto está despenalizado ocorrem 77 mortes maternas por 100 000 nascimentos.

O casamento forçado em idades muito jovens ainda é uma realidade que embora aconteça fora da Europa não deixa de ser uma preocupação num mundo que é global. A gravidez na adolescência ainda é um problema entre muitos outros, que está associado frequentemente a problemas médicos, sociais e económicos com a perpetuação de um ciclo de pobreza.

Em Portugal, em 1960 tinham filhos na adolescência 24 jovens por 1000 mulheres e atualmente 6,7 jovens por 1000. E o que mudou? Essencialmente o nível socioeconómico da população, a literacia, a educação sexual, o acesso à contraceção e a despenalização do aborto.

Este foi e deverá continuar a ser um processo dinâmico atualmente focado na melhoria da informação em saúde:

Mitos e dúvidas

Quem tem acesso a consulta de planeamento familiar e a contraceção em Portugal?

Todos. Todas as pessoas que vivem em Portugal, portugueses e não portugueses, legais ou ilegais, menores, têm acesso a cuidados de saúde reprodutivos incluindo consultas de planeamento familiar e contraceção.

O uso de contraceção tem impacto negativo na fertilidade?

Não. As mulheres e jovens saudáveis podem utilizar todos os métodos de contraceção.

Fazer pílula em regime continuo sem menstruar prejudica a saúde?

Não. É seguro desde que não existam esquecimentos.

O uso de implante faz aumentar o peso?

Não. A maioria das mulheres não aumenta de peso com o uso de implante. No entanto, não pode esquecer que se não tiver uma dieta equilibrada aumenta de peso independentemente do método de contraceção em uso.

Mulheres que nunca tiveram filhos podem usar dispositivo intrauterino?

Sim. O dispositivo pode ser usado mesmo por mulheres que nunca tenham estado grávidas.

A contraceção de emergência/pilula do dia seguinte é prejudicial à saúde?

Não. A pilula do dia seguinte deve ser usada após uma relação sexual não protegida ou irregularmente protegida, por exemplo por esquecimento da toma da pilula, por todas as mulheres que não desejem engravidar.

Um artigo da médica Teresa Bombas, especialista em Ginecologia e Obstetrícia da Sociedade Portuguesa da Contraceção.

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