Várias mulheres doentes com cancro da mama seguidas na Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa, estão com a conclusão da reconstrução mamária suspensa e sem saberem se o seu acompanhamento terá de ser feito noutro hospital.

Albertina Lopes, 58 anos, soube em 2005, durante um exame de rotina, que tinha uma massa numa das mamas e que havia qualquer problema. Em 15 dias soube que era maligno, foi obrigada a fazer uma mastectomia e a fazer tratamento de quimio e radioterapia.

Sempre foi seguida na MAC e foi lá que em outubro de 2011 começou a ser feita a reconstrução mamária, aguardando agora que ela seja terminada.

“Estou a aguardar a conclusão do processo porque ele está a meio. Falta fazer o mamilo na mama que foi reconstruída e falta retocar a outra mama. É uma coisa que faz parte do processo que é para as duas mamas ficarem iguais”, contou Albertina à agência Lusa.

Segundo esta doente oncológica, até dezembro do ano passado teve sempre acompanhamento na MAC e o “mais importante” em todo este caso é que deixou de o ter, já lá vão cinco meses.

“Deixei de ser seguida porque não há médicos neste momento e até agora não me foi dada nenhuma alternativa”, queixou-se.

Outra paciente explicou à Lusa que a equipa de cirurgia oncoplástica era composta por dois cirurgiões que entretanto saíram da MAC e não foram substituídos, um em dezembro de 2011 e o outro já em abril deste ano.

Odete Gonçalves aguarda há um ano e meio, desde outubro de 2010, pela conclusão da reconstrução mamária, após ter sido mastectomizada em novembro de 2008, quatro meses depois de ter sentido um caroço.

“No meu caso foi tirado um pedaço das costas e foi-me colocado um expansor porque o tecido que se tira das costas não é suficiente. Expansor que ainda está comigo, mas que já não devia estar porque quatro, cinco meses depois devia ser tirado. As pessoas que conheço acabaram por tirar ao fim de um ano, mas já se passou mais de um ano e meio e eu ainda o tenho", contou.

Situação pela qual Cristina Loureiro, de 44 anos, não quer passar depois de em abril lhe ter sido detetado um nódulo e de em maio ter sido operada. O carcinoma obrigou-a à extração do peito todo, estando neste momento na fase dos tratamentos de quimioterapia e de radioterapia. Espera ter o processo todo concluído daqui a um ano.

“A parte da [cirurgia] oncoplástica não existe neste momento [na MAC] e os utentes terão de utilizar outros meios, ou meios próprios ou terão de ir para as filas de espera de outros hospitais”, começou por explicar.

Pela MAC teria de fazer esses tratamentos no Hospital dos Capuchos ou em São José, mas como é funcionária do Estado tem acesso a outro tipo de assistência médica.

“Resolvi fazer tudo na Fundação Champalimaud porque tem um acordo total com a ADSE, inclusivamente a reconstrução porque agora que a MAC não tem os serviços congregados é muito mais difícil para os utentes que terão de ir para as filas de espera dos outros hospitais”, apontou.

Da parte do conselho de administração do Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) chegou à Lusa a explicação que a integração da MAC e do Hospital Curry Cabral “é um processo evolutivo ainda a decorrer” que trará a reestruturação de serviços com o objetivo de “criar sinergias entre as equipas diferenciadas e potencializar capacidades instaladas”.

O conselho de administração garante “uma resposta atempada a todas estas doentes”, mas não adianta mais explicações sobre como vai ser feito nem em quanto tempo.

15 de junho de 2012

@Lusa

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