Navajas "está preso nas dependências da FELCC [Força Especial da Luta Contra o Crime] da cidade de La Paz", afirmou o comandante da unidade, o coronel Iván Rojas, um dia depois de a presidente interina boliviana Jeanine Áñez ordenar a investigação da compra questionada por "possível corrupção".

Outros dois funcionários da saúde também foram detidos pela polícia. Como a compra dos 179 ventiladores por quase 5 milhões de dólares foi feita com o financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), dois funcionários do órgão internacional foram convocados para depor.

O organismo internacional destacou num comunicado público que "vê com preocupação as informações sobre possíveis irregularidades na aquisição de ventiladores realizada pelo Ministério da Saúde da Bolívia com recursos de financiamento do banco" e anunciou ter aberto uma investigação interna.

A Bolívia adquiriu os equipamentos da Espanha por um preço unitário de 27.683 dólares. No entanto, veio à tona que a empresa na verdade os vende por 9.500 euros e 11.000 euros. Outra empresa espanhola serviu como intermediária.

O escândalo começou no fim de semana passado, com a queixa dos médicos de unidades de terapia intensiva (UTIs), que denunciaram que as máquinas não eram adequadas para as UTIs dos hospitais bolivianos. Logo surgiram os relatórios de que tinha sido pago um preço excessivo pelo equipamento.

A presidente disse, ainda, que assumia o "compromisso" de "recuperar o dinheiro dos bolivianos".

Áñez "decidiu afastar o ministro da saúde" para "evitar qualquer interferência no trabalho da justiça", disse a chefe da pasta da Comunicação, Isabel Fernández.

Uma vice-ministra do setor, Eidy Roca, assumiu a titularidade de forma interina.

O escândalo ocorre durante a uma expansão da COVID-19, que o momento infetou de 4.500 pessoas e provocou cerca de 190 mortes na Bolívia, que permanece sob quarentena e com fronteiras fechadas desde 17 de março e até o fim deste mês.

Áñez, alvo de críticas

A presidente, que assumiu o cargo em 12 de novembro, um dia depois da renúncia de Evo Morales (2006-2019), após uma forte convulsão social e política, tornou-se alvo de críticas e enfrenta a sua maior crise política devido à compra dos ventiladores.

"Urge uma explicação séria do governo", destacou o ex-presidente e candidato à Presidência, Carlos Mesa, enquanto o afilhado político de Morales, o economista Luis Arce, disse que "o governo da Bolívia continuar a atuar de forma tardia e negligentemente".

O também candidato Luis Fernando Camacho foi mais duro: "A dor do povo não pode ser usada para fazer negociatas".

Áñez também sofre a pressão de sindicatos de operários e camponeses, ligados a Morales, que exigem aliviar a quarentena sanitária, a renúncia da presidente e que se fixe uma data para as novas eleições, no máximo até 2 de agosto.

Previstas inicialmente para 3 de maio, as eleições para substituir Áñez ficaram em suspenso pela pandemia.

Desde a semana passada são registados alguns bloqueios de vias nas regiões de La Paz, Cochabamba, Santa Cruz, Oruro e Potosí.

Enquanto isso, o município de Cochabamba abriu uma mesa de diálogo com moradores que impedem o transporte de lixo até ao depósito local.

O vice-ministro do Interior, Wilson Santamaría, afirmou na véspera que "interesses políticos pretendem gerar um foco de conflito que termine com mortos para convulsionar o país durante a crise da pandemia do novo coronavírus".

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