Nídia Zózimo, a trabalhar no serviço de urgência do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, e membro da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), defende que muitos profissionais estão hoje completamente "exaustos" e que os conflitos e agressões não podem ser dissociados do facto de os doentes estarem também mais exasperados e exigentes, escreve o jornal Público.

"As agressões acontecem porque não há prevenção, nem no local de trabalho, nem no modo como a tutela nos trata", protesta.

Os médicos sentem-se "tão humilhados e maltratados que já nem se zangam", e este é um dos sinais de "burnout" (síndrome de exaustão emocional e física crónicas e que pode originar depressão).

"O ambiente já não é de zanga, mas sim de desânimo. Os profissionais percebem que a situação não muda e muitos vão-se embora", sintetiza Nídia Zózimo.

A profissional defende, por exemplo, mais políticas preventivas, como por exemplo avisar os pacientes dos atrasos para evitar complicações. "As primeiras reações são más, mas a medida é profilática", sustenta a médica, que por diversas vezes foi agredida.

Estudar o cansaço dos clínicos

Em 2010, a Ordem dos Médicos (OM) criou um grupo de trabalho por estar preocupada com os casos de exaustão na classe.

Assim, decidiu iniciar também um estudo nacional, mas a análise acabou por não avançar por motivos financeiros, relata a médica, que integra este grupo da OM e continua empenhada em avançar com a investigação, apesar de o fenómeno ser difícil de estudar porque muitos profissionais não admitem estar em sofrimento, devido ao estigma. "Os médicos são treinados para tratar, não para ser tratados", explica.

Um recente inquérito a 263 médicos anestesistas, por exemplo, revelou que mais de metade admite sofrer de exaustão emocional e 45% dizem não se sentirem realizados.

Apesar de não existirem dados compilados, sabe-se que esta classe profissional tem taxas de divórcio e de suicídio superiores à média, sendo que muitos profissionais se auto-medicam com antidepressivos.

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