Os dados constam de uma tomada de posição da autarquia liderada pelo social-democrata Hernâni Dias e aprovada por unanimidade em reunião de Câmara, na segunda-feira, para ser enviada ao Governo e às entidades regionais.

No documento, divulgado esta terça-feira (26.07), a autarquia vinca que a decisão de “emprestar” dois ortopedistas e um anestesista ao Algarve, “para além de ser injusta, penaliza de forma grave os mais de 800 cidadãos (da região de Bragança) que se encontram em lista de espera para serem submetidos a uma cirurgia ortopédica”.

A Câmara da capital de distrito entende que a ausência destes especialistas durante todo o verão “irá dilatar ainda mais o tempo médio de espera que, segundo os dados publicados no portal do Serviço Nacional de Saúde (SNS), é nesta data superior a meio ano, mais precisamente 194 dias”.

Acresce ainda que as especialidades em causa “foram identificadas com carências de recursos médicos” pelo próprio Governo num despacho publicado em Diário da República que abre concurso para onze vagas em várias especialidades da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste, entre as quais um ortopedista e um anestesista.

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O município transmontano lembra ainda que “nos meses de verão verifica-se o regresso de milhares de emigrantes ao distrito de Bragança para gozo de férias, podendo registar-se, em situações de urgência ou emergência, uma ausência de respostas na prestação de cuidados nas especialidades em questão, obrigando a deslocações dos doentes para hospitais do litoral”.

Câmara exige revogação imediata da deslocação para o Algarve

A Câmara de Bragança considera ainda que a medida “irá agravar a já débil situação económico-financeira da ULS do Nordeste” que poderá ver-se obrigada a “recorrer ao pagamento adicional para a realização de cirurgias com os elevados custos daí decorrentes”.

Além da revogação imediata da deslocação dos médicos para o Algarve, a autarquia reclama ainda “a admissão urgente de pessoal médico nas especialidades identificadas com carência” na região de Bragança.

A Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste decidiu, em conjunto com a Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, ceder temporariamente, de julho a setembro, três médicos especialistas ao Algarve para atenuar a escassez verificada em algumas especialidades naquela zona durante o verão, devido à procura turística.

Embora os responsáveis tenham garantido que “não afetará os serviços no distrito de Bragança”, a medida tem sido alvo de críticas na região com diferentes partidos e organismos a reclamaram a revogação.

O PCP apresentou, na Assembleia da República, um requerimento a questionar o Ministério da Saúde sobre o impacto na prestação de cuidados de saúde às populações de Bragança e as medidas tomadas para o normal funcionamento dos serviços.

O PSD tomou a mesma iniciativa parlamentar de pedir explicações ao Governo, classificando esta “situação absurda”.

Também o presidente da distrital de Bragança do PSD, Jorge Fidalgo, exigiu “o regresso imediato”, argumentando que “fazem falta” no distrito transmontano.

A Comunidade Intermunicipal (CIM) Terras de Trás-os-Montes, que junta nove dos 12 concelhos do distrito de Bragança, pediu a revogação da decisão e o reforço da equipa de ortopedistas na região.

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