"Embora haja um número relativamente elevado de pessoas com patologias do foro músculo-esquelético, nomeadamente espondilartrite, a verdade é que os portugueses não têm ainda consciência dos sinais e das suas manifestações clínicas", começam por alertar os médicos reumatologistas da Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR) em comunicado.

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Para estes especialistas, esta realidade leva a que existam muitos casos subdiagnosticados de doenças reumáticas e, por conseguinte, de doentes que não estão a receber nenhum tipo de cuidados médicos.

Segundo o presidente da Sociedade Portuguesa de Reumatologia, o médico José Canas da Silva, "o tempo até ao diagnóstico das doenças reumáticas ainda é dos mais altos da Europa", sendo que "em certas zonas do país, o acesso à especialidade encontra-se limitado".

No entanto, cerca de metade dos portugueses não tem acesso a reumatologista nos hospitais públicos, havendo apenas cinco unidades do Serviço Nacional de Saúde com o quadro completo de especialistas.

Várias doenças que são do foro reumatológico

Entre as várias doenças reumatológicas confundidas com dores nas costas, José Canas da Silva destaca as espondilartrites. "As espondilartrites constituem um grupo de doenças reumáticas de natureza inflamatória e crónica que partilham características clínicas e genéticas entre si. As espondilartrites afetam sobretudo a coluna vertebral e a região sacroilíaca, podendo ocorrer também atingimento periférico manifesto por dor e inflamação em articulações sobretudo nos membros inferiores", explica o reumatologista.

"De igual forma as inserções dos ligamentos e tendões podem estar envolvidos, por exemplo, causando inflamação do tendão de Aquiles e fascia plantar ao nível do calcanhar. Este grupo de doenças engloba a artrite reativa, a artrite psoriática, as artrites relacionadas com inflamação do intestino e a espondilite anquilosante, esta última considerada paradigma das espondilartrites", acrescenta.

O médico alerta ainda que as espondilartrites são ainda responsáveis, anualmente, por inúmeras baixas médicas e até reformas antecipadas - muitas vezes por falta de diagnóstico e tratamento adequado. Estas doenças, quando não tratadas, causam dor crónica e podem originar incapacidade física irreversível.

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O "Estudo Epidemiológico de Doenças Reumáticas em Portugal - EpiReumaPt" mostrou que cerca de metade dos portugueses sofre de, pelo menos, uma doença reumática e que estas enfermidades são as que mais influenciam a nossa qualidade de vida.

Nos países desenvolvidos, as doenças reumáticas são o grupo de patologias mais frequentes, estando associadas a um elevado nível de incapacidade funcional e laboral, com fortes repercussões socioeconómicas, dado que podem ocorrer em qualquer faixa etária, incluindo crianças e adultos jovens.

Apesar do seu início precoce ser frequente, as doenças reumáticas são crónicas e, por isso, a sua prevalência aumenta inexoravelmente com o envelhecimento da população. Desta forma, a SPR prevê um aumento do número de casos que originará um acréscimo de disfuncionalidade numa faixa da população que já tem incapacidade relacionada com a idade e com outras comorbilidades crónicas. Este facto tem um peso muito importante se pensarmos em doenças muito frequentes como a osteoartrose e a osteoporose.