FOTO DE ARQUIVO AFP

"Este é apenas um contributo pequenino, mas que se tiver impacto na vida de um doente em particular poderá ter grande significado", disse à agência Lusa Sofia Torres, de 35 anos.

Licenciada pela Faculdade de Medicina de Lisboa (2006), a portuguesa especializou-se em Oncologia Médica no IPO de Lisboa (2013), altura em que decidiu emigrar.

Foi por um "mero acaso" em 2011, que conheceu, no Congresso Europeu de Oncologia em Estocolmo, na Suécia, um especialista mundialmente reconhecido na área de cancro da mama, o canadiano Sunil Verma, que lhe sugeriu a "oportunidade de continuar a investigação e os estudos na vertente do cancro da mama" em Toronto.

"Ele (Sunil Verma) sugeriu-me uma subespecialização em cancro da mama em Toronto, com a vertente clínica e de investigação, e paralelamente a possibilidade de me candidatar a um programa de mestrado/ doutoramento na Universidade de Toronto", contou.

Em setembro de 2013, Sofia Torres iniciou essa subespecialização na área do cancro da mama na Unidade de Oncologia Médica, no Centro de Ciência de Saúde do Hospital Sunnybrook. "Resolvi vir para Toronto, porque o (hospital) Sunnybrook é um centro reconhecido mundialmente, em termos de investigação e tratamento de doentes com cancro da mama, e pela possibilidade de trabalhar com e de ter como mentores oncologistas como o Dr. Sunil Verma, a Dr. Maureen Trudeau e a Dr, Kathleen Pritchard", acrescentou.

Limitações em Portugal

Paralelamente, em 2014, decidiu dar continuidade aos estudos na Universidade de Toronto, ao frequentar um doutoramento de Políticas de Saúde, Gestão e Avaliação, Epidemiologia Clínica e Pesquisa nos Cuidados de Saúde. Além de poder trabalhar com alguns dos melhores especialista em cancro da mama, a médica portuguesa tem também a vantagem de dispor de "tempo protegido para o doutoramento e projetos de investigação". "Em Portugal era impossível ter três dias por semana para trabalhar e dedicar-me à investigação clínica", realçou.

O seu doutoramento centra-se no desenvolvimento de técnicas para avaliação sistemática da qualidade de vida em pacientes com cancro da mama, quer para melhorar a vertente clínica, quer para obter dados para estudos de avaliação económica, que poderão por exemplo informar que medicamentos oncológicos deverão ser comparticipados.

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O esforço e dedicação de Sofia Torres foi recompensado com um prémio monetário atribuído pela Universidade de Toronto, no valor de 10 mil dólares canadianos (6,7 mil euros), valor que lhe permite o financiamento na totalidade das propinas na universidade.

"É um reconhecimento de todo o trabalho que tenho vindo a desenvolver. Acabei por ter todo o apoio para dar continuidade aos meus estudos de pós-graduação (doutoramento)", enalteceu a emigrante.

Dentro de um ano, a médica espera concluir o doutoramento, para depois regressar a Portugal, para poder exercer o que apreendeu.

O cancro da mama é a segunda causa de morte oncológica em mulheres no Canadá, mas a primeira causa de morte em Portugal.

"Este é o cancro mais comum nas mulheres portuguesas e a principal causa de morte precoce, antes dos 70 anos. Afeta principalmente as mulheres a partir dos 45-50 anos de idade, estando o rastreio aconselhado até aos 69 anos", concluiu Sofia Torres.

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