O estudo ‘Observatório Global de Lixo Eletrónico 2017’ atribui o crescimento à melhoria do poder de compra e à queda dos preços dos dispositivos eletrónicos.

De acordo com os dados apresentado pelo estudo, no ano passado a quantidade de aparelhos com baterias ou fichas elétricas que foram deitados ao lixo ascendeu a 44,7 milhões de toneladas, abrangendo desde painéis solares a telemóveis, passando por frigoríficos, televisores e computadores.

Apenas 20% desse total foi reciclado. “A gestão do lixo eletrónico é uma questão urgente no mundo de hoje, digitalmente dependente, onde o uso de aparelhos eletrónicos cresce constantemente”, disse em comunicado o secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Houlin Zhao.

Segundo os dados do estudo, 76% dos aparelhos descartados em 2016 foram parar a aterros ou incineradoras, foram reciclados de maneira informal ou permaneceram guardados em casa.

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O estudo lamenta ainda que não se aproveitem os “ricos depósitos de ouro, prata, cobre, platina, paládio e outros materiais de alto valor que são recuperáveis”.

As estimativas indicam que o valor conjunto de todos estes materiais no ano passado ascendeu a 55 mil milhões de dólares (46,71 milhões de euros), equivalente ao produto interno bruto (PIB) de países como a Costa Rica, Panamá ou Uruguai, indicou a EFE.

Na análise por tipo de dispositivo, os equipamentos pequenos, como aspiradores, micro-ondas, rádios ou consolas de jogos, foram os mais comuns (16,8 milhões de toneladas), seguidos por grandes aparelhos, como máquinas de lavar e fotocopiadoras (9,2 milhões de toneladas), equipamentos de frio e calor (7,6 milhões de toneladas), telas (6,6 toneladas) e pequenos equipamentos de comunicações, como telemóveis, ‘tablets’ e outros (3,9 milhões de toneladas).

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A Oceânia, com 17,3 quilos de lixo produzido por pessoa, e a Europa, com 16,6 quilos por pessoa, são os continentes mais poluidores, seguindo-se a América (11,6 quilos por pessoa), Ásia (4,2 quilos) e África (1,9 quilos).

Por outro lado, a Europa é o continente com a taxa de reciclagem mais elevada (35%), claramente à frente da América (17%), Ásia (15%) e Oceânia (6%), excluindo-se desta análise o continente africano por falta de dados fidedignos, refere a EFE.

O relatório, no qual participaram a Universidade das Nações Unidas e a Associação Internacional de Resíduos Sólidos, antevê um forte aumento de lixo eletrónico nos próximos anos, com um aumento de 17% para 2021 e uma subida da produção de lixo per capita para os 6,8 quilos, quando em 2016 se fixou nos 6,1 quilos, mais 5% do que em 2014.