Investigadores estão a estudar a incidência da Nosema ceranae em Portugal, uma doença que se suspeita poder estar na origem da síndrome do colapso das colónias de abelhas, problema que tem afetado a apicultura em vários países.

O projeto é promovido pela Federação Nacional dos Apicultores de Portugal e está a ser executado pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Instituto Politécnico de Bragança (IPB), Universidade de Évora (UÉvora) e o Laboratório Nacional de Investigação Veterinária (LNIV).

“Em Portugal, ainda não temos dados sobre esta problemática. Contudo, este projeto visa identificar esta espécie e saber qual é a sua distribuição”, afirmou à Agência Lusa Paulo Russo Almeida, investigador da UTAD.

A síndrome do colapso das colónias foi detetada nos EUA por volta de 2006, reflectindo-se numa redução drástica e inexplicável dos efetivos de abelhas naquele país e em consequências drásticas a nível económico. As abelhas são os principais agentes polinizadores, estimando-se que cerca de um terço das culturas agrícolas dependam da polinização destes insetos.

O alerta foi lançado e foram sendo desenvolvidas várias investigações com o objetivo de identificar a causa deste fenómeno.

No mesmo ano, investigadores espanhóis identificaram pela primeira vez o agente Nosemae ceranae na Europa e, desde então, o trabalho desenvolvido por essa equipa tem sido no sentido de demonstrar se há uma relação de causa entre este novo agente e a síndrome.

A doença Nosemose é causada pelo desenvolvimento de um ou de dois microsporídios – Nosema apis ou Nosema ceranae, duas espécies que só se conseguem distinguir através de métodos de genética molecular.

Ainda não há certezas quanto à relação da Nosema ceranae com as perdas inexplicáveis das colónias. Em Portugal, está identificada a existência da espécie apis, não estando, no entanto, comprovada a existência da ceranae.

“Daí a importância do nosso projeto”, salientou Paulo Russo Almeida.

Financiado pelo Programa Apícola Nacional, o projeto dispõe de cerca de 90 mil euros para três anos.

Numa primeira fase foram feitos 660 inquéritos aos apicultores. No outono foram recolhidas amostras em 270 apiários espalhados pelo continente. Em cada apiário foram recolhidas, nas várias colmeias, entre 60 a 100 abelhas.

A segunda fase de amostragem irá avançar a partir de maio. Ainda este mês irá dar-se início à avaliação microscópica das amostras, seguida da identificação específica pela técnica da PCR (Reacção em Cadeia da Polimerase)

O objetivo é caracterizar o país, saber se o agente está presente, onde e com que incidência. E, caso se comprove que esta patologia está por detrás da síndrome do colapso das colónias, para que seja possível tomar medidas de combate à doença.

“Determinar a espécie em causa ajuda depois na adoção de medidas de combate”, salientou o investigador.

Em Portugal existem apenas alguns relatos pontuais de mortalidade fora do normal.

Em 2010, estavam contabilizados em Portugal cerca de 17 mil apicultores, correspondendo a um universo de, aproximadamente, 38 mil apiários e 562 mil colónias.

Os apicultores não profissionais, no seu conjunto, representam 96,6 por cento do total de apicultores portugueses e detêm 61,8 por cento do total de colónias.

“Nós temos condições naturais que permitem ter vários tipos de mel de qualidade em Portugal”, salientou Paulo Russo de Almeida.

17 de janeiro de 2012

@Lusa

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