Esta manhã, no centro de saúde, Teresa Palminha, da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), apontou para uma adesão de 50% dos médicos à greve.

A clínica referiu que este número é “provisório”, uma vez que há médicos que começam a trabalhar mais tarde e ainda não se sabe se vão ou não aderir à paralisação.

A médica explicou que trabalhar atualmente no Serviço Nacional de Saúde (SNS) é “tentar fazer omeletes o melhor possível com ovos que são cada vez menos”, referindo-se à falta de material e de meios humanos.

Já a paralisação dos enfermeiros não é tão notória neste Centro, uma vez que apenas três em cada 30 enfermeiros aderiam, estando todos os serviços de enfermagem garantidos.

Segundo a diretora executiva do Centro de Saúde Sete Rios, Manuela Peleteiro, a fraca adesão deve-se à coincidência com a paralisação dos médicos.

“São quatro dias de greve e acredito que nos outros a adesão será mais expressiva”, afirmou.

A greve dos médicos, que começou na terça-feira às 00:00, termina hoje às 24:00, enquanto os enfermeiros continuam parados até ao fim do dia de sexta-feira.

Celeste Barros, uma das utentes que esta manhã se dirigiu ao centro de saúde, disse à Lusa que seria hoje consultada, mas garantiu desconhecer que a greve dos enfermeiros se prolonga até sexta-feira.

Também Conceição Santos não foi afetada pela paralisação, uma vez que o marido iria ser atendido na enfermaria.

No primeiro dia de greve dos médicos, o Sindicato Independente dos Médicos (SIM) indicou uma adesão geral de 80%, enquanto os enfermeiros apontaram para uma adesão de 75%.

Cada uma das classes profissionais tem reivindicações específicas, mas tanto médicos como enfermeiros argumentam que lutam pela dignidade da profissão e por um melhor SNS.

Os médicos querem que todos os portugueses tenham médico de família, lutam pela redução das listas de utentes dos médicos e por mais tempo de consultas, querem a diminuição do serviço em urgência das 18 para as 12 horas, entre várias outras reivindicações, que passam também por reclamar que possam optar pela dedicação exclusiva ao serviço público.

No pré-aviso de greve, os médicos pedem ainda que seja negociada uma nova grelha salarial, que indicam que já devia ter ocorrido em janeiro de 2015.

Quanto aos enfermeiros, o Sindepor reclama o descongelamento das progressões de todos os enfermeiros, independentemente do vínculo ou da tipologia do contrato de trabalho e que sejam definidos os 35 anos de serviço e 57 de idade para o acesso à aposentação destes profissionais.

Exigem ainda que o Governo inclua medidas compensatórias do desgaste, risco e penosidade da profissão, assegurando as compensações resultantes do trabalho por turnos, defina condições de exercício para enfermeiros, enfermeiros especialistas e enfermeiros gestores que determinem a identificação do número de postos de trabalho nos mapas de pessoal e que garanta, no caso dos especialistas, uma quota não inferior a 40%.

Os enfermeiros querem também que o Governo aplique corretamente a legislação e o pagamento do suplemento remuneratório a todos os enfermeiros especialistas em funções e equipare, sem discriminações, todos os vínculos de trabalho.

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