Numa ronda por 33 pastelarias de rua e 9 supermercados da região da Grande Lisboa, a DECO deixou claro aos funcionários, através de um cliente mistério, que queria croissant com chocolate. Mas com uma ressalva: para aquele consumidor, a presença de avelã poderia ser um problema, por ser alérgico a esse fruto seco.

"Em 23 locais não venderam o croissant, ou por estarem cientes de que continha avelã ou por terem dúvidas. Agiram corretamente. Mas em 19 estabelecimentos afirmaram que a avelã não fazia parte dos ingredientes. Só que em 16 havia mesmo avelã, tal como provámos através de análises laboratoriais. E não só havia, como a quantidade encontrada era suficiente para causar uma reação alérgica", explica a Defesa do Consumidor em comunicado.

A avelã está incluída nos oito grupos de alimentos responsáveis por cerca de 90% das alergias alimentares (leite de vaca, ovo, amendoim, frutos de casca rija, peixe, marisco, trigo e soja). É o fruto seco de casca rija que com mais frequência provoca alergia em todo o mundo. As reações demoram segundos, minutos ou até duas horas a manifestarem-se.

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"As reações podem ser leves, sem risco de vida: prurido nos lábios, língua e palato e inchaço labial, ou sintomas gastrointestinais (dores abdominais, vómitos ou diarreia), manifestações cutâneas (urticária). Mas também há reações mais graves, como dificuldade respiratória e sintomas cardiovasculares (anafilaxia), que podem ser fatais", explica a médica alergologista Elsa Caiado.

"Tem de haver uma vigilância apertada ao fabrico da pastelaria. Além da avelã, a amêndoa, a noz, a castanha de caju, o leite, a farinha e os ovos podem provocar alergias. O problema é, muitas vezes, a contaminação cruzada ao manusear o produto na bancada ou no armazém", acrescenta a especialista.

Falta de informação

O problema central reside na falta de formação dos funcionários. "Muitas vezes, desconhecem a composição dos produtos que vendem. A legislação obriga a que os fabricantes e os estabelecimentos onde se preparam géneros alimentícios prontos para consumo (restaurantes, cantinas, escolas, hospitais e empresas de serviços de restauração, como pastelarias e similares) informem sobre os ingredientes alergénicos nos alimentos pré-embalados, mas também nos restantes", diz a DECO, que forneceu as informações que recolheu no terreno à Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).

Em Portugal, a legislação obriga a que os fabricantes e os estabelecimentos onde se preparam géneros alimentícios prontos para consumo informem sobre os ingredientes alergénicos nos alimentos pré-embalados, mas também nos restantes. São 14 as substâncias que devem ser mencionadas pelo potencial alergénico ou de intolerância: substâncias e produtos à base de cereais com glúten, crustáceos, ovos, peixe, amendoins, soja, leite, frutos de casca rija, aipo, mostarda, sementes de sésamo, dióxido de enxofre e sulfitos, tremoço e moluscos.

Lista de superfícies que venderam pastelaria que continha avelã:

  • A BRASILEIRA R. Garrett
  • PASTELARIA ABELHA D’OURO R. Francisco Metrass
  • BRUNCHY Av. de Berna
  • PASTELARIA CARCASSONE Av. da Igreja
  • CASA BRASILEIRA R. Augusta
  • CONFEITARIA DE LISBOA Av. de Roma
  • CONFEITARIA IMPERIAL Av. António Augusto de Aguiar
  • CONFEITARIA MARQUÊS DE POMBAL Av. da Liberdade
  • CONFEITARIA VITÓRIA Largo D. Estefânia
  • LEITARIA LISBOA R. Artilharia 1
  • PADARIA DO BAIRRO Largo D. Estefânia
  • PANIFICADORA DO AREEIRO Av. Estados Unidos da América
  • PASTELARIA GRANFINA Av. Estados Unidos da América
  • PASTELARIA VERSAILLES Av. da República
  • SACOLINHA Oeiras
  • SUPERMERCADO EUROPA R. República do Paraguai

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