O trabalho, enquadrado no projeto HOUSE-Colégio F3 e que envolveu alunos do primeiro ano de 17 faculdades da Universidade de Lisboa, pretendeu conhecer o perfil de saúde e estilos de vida dos estudantes à entrada do ensino superior. Recolheu dados entre março e maio de 2021, apanhando os chamados “caloiros da pandemia”.

A psicóloga clínica Margarida Gaspar de Matos, uma das investigadoras envolvidas, diz que a equipa tinha pensado fazer o estudo antes - mas entretanto foi apanhada pela pandemia - e sublinha o facto de estes alunos terem acabado por passar por uma entrada na faculdade “bem diferente do que imaginavam”.

“Estes foram os que entraram para faculdade com uma expetativa, numa situação que exige muito esforço, e de repente acontece uma coisa diferentes, pois apanharam a universidade fechada”, afirmou, lembrando que isso teve um impacto diferente nestes caloiros.

Questionados sobre os problemas que a pandemia trouxe, grande parte apontou o uso excessivo de ecrãs (89,9%), o comportamento sedentário (87,6%), a ansiedade (84,5%), as preocupações (76%), a depressão (74,8%), as perturbações na qualidade do sono (69,4%), os conflitos familiares (61,8%), a má nutrição (58,4%) e perturbações na quantidade do sono (57,4%). Cerca de 39% ainda referem o aumento de jogos ‘online’.

Sobre os potenciais aliados para enfrentar os problemas relacionados com a pandemia, a maioria aponta as ligações familiares (75,2%), menos fadiga (50,2%) e o terem mais tempo (39,8%).

O estudo pretendeu caracterizar esta população universitária em seis dimensões: saúde e bem-estar, substâncias psicotrópicas e potencialmente indutoras de dependência, atividade física, hábitos alimentares, questões físicas e emocionais, literacia e conhecimento.

O trabalho, que será apresentado na quinta-feira na reitoria da Universidade de Lisboa, refere que, em termos físicos, estes estudantes apresentavam em média um índice de massa corporal dentro dos parâmetros normais, quase metade (43,3%) considera ter um peso ideal para a sua altura e 40,3% não fazem dieta.

Quanto aos hábitos alimentares, a maioria dos participantes (59,6%) disseram fazer, em média, quatro a seis refeições por dia. A refeição menos vezes realizada é a ceia (47,7% nunca faz), seguida da refeição do meio da manhã.

Mais de metade toma pequeno-almoço (mais do que leite/iogurte ou sumo de frutas) todos os dias da semana (64,2%), sendo esta frequência superior nos dias de fim de semana (70,4%). Contudo, há 5,8% que dizem nunca tomar o pequeno-almoço.

Em relação ao almoço, 30,3% dos participantes usam o refeitório da própria faculdade ou instituto e a maioria (78,1%) come apenas o prato principal. Há 6,3% dos que responderam que disseram não almoçar.

Segundo o estudo, a maioria (89,5%) não apresenta adesão ao padrão alimentar mediterrânico. Cerca de 88,8% dos participantes disseram usar azeite como principal gordura para cozinhar, no entanto apenas 6,7% utilizavam o equivalente a quatro ou mais colheres de sopa por dia.

Quanto ao consumo de carne, mais de metade (55,7%) disse consumir preferencialmente carne branca em detrimento da carne vermelha, porém 66,8% consome uma ou mais porções de carne de vaca, porco, hambúrgueres ou salsichas por dia e cerca de 13,4% comem menos de uma porção de peixe ou marisco por semana.

Já quanto aos produtos hortícolas, uma percentagem maior de estudantes (55,8%) tende a comer duas ou mais porções diariamente, estando de acordo com as recomendações da dieta mediterrânica. O mesmo não se verifica para o consumo de fruta, uma vez que apenas 23,3% ingerem três ou mais peças diariamente.

No que se refere à literacia nutricional, a maioria dos participantes (83,8%) evidencia conhecimentos adequados, mas no que se refere à segurança alimentar há um maior desconhecimento relativamente à correta higienização de superfícies da cozinha (76,1% reponderam erradamente) e no consumo do iogurte após passar o prazo de validade (53,7%).

Mais de um terço dos estudantes respondeu de forma errada à questão sobre contaminação cruzada durante o manuseamento de utensílios de cozinha.

O estudo realça ainda que a forma de arrumação dos alimentos no frigorifico e o armazenamento de sobras de refeições foram os aspetos onde as frequências de desconhecimento foram mais elevadas (55,1% e 19,4%, respetivamente).

Quanto à literacia em saúde, a maioria dos jovens sabe que os antibióticos ajudam a combater as bactérias (80,5%) e quase três em cada quatro (72,9%) referem que pode ter uma ação pessoal a impedir a resistência aos antibióticos se os tomar apenas depois de consultar o médico e de lhe serem prescritos.

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