"A realização da automonitorização diária deveria ser a regra na perspetiva, quer da proteção da saúde do profissional, quer da redução da probabilidade do risco de contágio, tal como preconizado pela orientação da Direção-Geral da Saúde desde 21 de março de 2020", destacou em comunicado Florentino Serranheira, coordenador executivo do estudo.

O questionário "Saúde Ocupacional" do Barómetro Covid-19, da ENSP da Universidade Nova de Lisboa, que contou com o contributo de 5.180 profissionais de saúde e cujos resultados foram hoje divulgados, também mostra que 36,6% dos inquiridos se encontram sem sistema organizado de gestão do risco de COVID-19, isto é, a proteção e vigilância da sua saúde nos seus locais de trabalho durante a pandemia.

Os investigadores destacaram que "os riscos para os profissionais de saúde vão muito para além do vírus", já que, a par do risco de contrair COVID-19, a ansiedade, horas de sono insuficientes, a fadiga e as dores nas costas têm influência na saúde e no desempenho da atividade dos profissionais de saúde.

"Ao caracterizar os fatores de risco profissionais a que estão expostos os profissionais de saúde, torna-se claro que estes não se esgotam no vírus SARS CoV-2, agente da COVID-19. O contacto com doentes (ou casos suspeitos) de covid-19 tem repercussões a nível psicológico, constatando-se que quase três quartos dos respondentes apresentam níveis de ansiedade elevados ou muito elevados como resposta às situações de ?stress' que vivenciam", realçou a equipa da ENSP.

Mais, segundo o inquérito, quase 15% dos respondentes apresentam níveis de depressão moderados ou elevados.

Ainda na área psicossocial, é constatado que quase metade dos profissionais de saúde (44,8%) refere que dorme menos de seis horas diárias.

"Este facto, associado à sensação de fadiga, que piorou para quase 90% dos profissionais de saúde desde o último inquérito, pode ter repercussões na sua saúde e desempenho profissional. De facto, quase quatro em cada cinco profissionais de saúde (78,7%) considera o seu nível de fadiga (física) muito agravado, em relação à semana anterior", assinalou Florentino Serranheira.

Depois, 44,8% dos profissionais de saúde referem que não praticaram exercício físico na última semana e apenas 2% referirem fazer exercício todos os dias.

"Tal pode, eventualmente, estar relacionado com o elevado número de alusões à presença de dores musculoesqueléticas (ou desconforto) a nível da coluna vertebral que não tinham anteriormente e que podem estar relacionadas, para além das exigências do trabalho, por exemplo com à sobrecarga causada pelos EPI [equipamentos de proteção individual] que usam", frisou o investigador.

Quanto aos EPI, a sua disponibilização na última semana, em relação às semanas anteriores, é considerada pelos profissionais de saúde melhor (31,7%) ou mesmo muito melhor (40,7%).

A sua disponibilidade aumentou para a maioria na última semana (55,1%), apesar de 11% considerarem que piorou bastante, em particular nos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES). Na opinião da grande maioria dos participantes (80,2%), os EPI são adequados.

As respostas são maioritariamente de profissionais do setor público (92,1%), nomeadamente enfermeiros (39,6%), médicos (26,4%), técnicos de diagnóstico e terapêutica (18,6%), assistentes operacionais (2,9%), farmacêuticos laboratoriais e hospitalares, nutricionistas, psicólogos, entre outros. E a maioria trabalha em hospitais (48,9%) e ACES (43,2%).

Portugal contabiliza 973 mortos associados à COVID-19 em 24.505 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia divulgado hoje.

Relativamente ao dia anterior, há mais 25 mortos (+2,6%) e mais 183 casos de infeção (+0,8%). Das pessoas infetadas, 980 estão hospitalizadas, das quais 169 em unidades de cuidados intensivos, e o número de casos recuperados passou de 1.389 para 1.470.

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