O Instituto Ricardo Jorge associou hoje a “subida abrupta” de uma das sub-linhagens da variante Delta, que se manifestou em 42 concelhos, à Queima das Fitas, que decorreu no final de outubro.

“A Associação Académica de Coimbra está plenamente convicta de que fez tudo o que seria correto. Esteve durante meses a dialogar com as autoridades de saúde e todo o evento é marcado pelo consenso científico de que poderia ser realizado e a Académica foi a primeira a dizer que só assim poderia avançar”, disse à agência Lusa João Assunção, que está em final de mandato.

Para este responsável, o evento cumpriu “todos os critérios de segurança” definidos pelas autoridades e foi até “além desses critérios”.

“A Associação Académica não tem como se arrepender ou olhar para o evento da Queima com uma ideia de que não o deveria ter feito. Está segura e confiante de que cumpriu todas as regras de segurança sanitária”, frisou.

João Assunção notou que o evento decorreu numa altura em que toda a economia estava aberta “em pleno”, como era o caso da diversão noturna ou da restauração, onde há “muito menos restrições do que na Queima das Fitas”, em que era exigido aos participantes um certificado de vacinação ou teste à covid-19 negativo.

“Parece-me estranho que, passado mais de um mês, quando vemos um agravamento da situação epidémica fruto do Inverno, a justificativa seja um evento que ocorreu há um mês em Coimbra”, salientou.

Subida abrupta de casos

O investigador do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), João Paulo Gomes, disse que, de uma semana para a outra, uma sub-linhagem da variante Delta do coronavírus SARS-CoV-2, “que estava muito pouco representada no país, passou a estar presente em 42 concelhos”.

“Além disso, em termos genéticos, vimos que os vírus eram praticamente todos iguais (…), significa que uma pessoa infetada num mesmo evento passou a infeção a muitas outras pessoas, que depois saíram desse evento e espalharam a infeção”, precisou.

João Paulo Gomes disse ainda que, tendo em conta que as datas de colheita foram no início de novembro (…), os investigadores associaram, "sem grandes margens para dúvida", à Queima das Fitas, em Coimbra, que aconteceu na última semana de outubro.

“Não há grandes dúvidas de que, de facto, [foram] estudantes académicos em Coimbra, infetados todos mais ou menos na mesma altura, com a mesma sequência genética do vírus e que, de repente, passaram a espalhar [a infeção] por 42 concelhos à volta daquela região”, sublinhou.

O especialista explicou ainda que este caso não é único, pois já em relatórios anteriores o INSA tinha detetado um outro evento com disseminação em massa, desta vez na região de Lisboa e Vale do Tejo.

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