Os Estados Unidos enfrentam um sério agravamento da crise, com 225.000 novos casos e 2.500 mortes registadas em 24 horas na sexta-feira, dias depois de muitos americanos terem viajado no final de novembro para o feriado de Ação de Graças.

Por sua vez, o vizinho Canadá ultrapassou na sexta os 400.000 casos, pouco mais de duas semanas depois de atingir 300.000, o que marca uma forte aceleração da pandemia.

Perante o perigo, o presidente eleito Joe Biden espera uma cerimónia de posse em janeiro amplamente online para seguir as "recomendações dos especialistas".

"Portanto, é altamente improvável que tenhamos um milhão de pessoas no Mall", a grande avenida do centro de Washington, advertiu o democrata de 77 anos.

De facto, especialistas da OMS pediram que os países não baixem a guarda perante o otimismo despertado pela chegada prevista das vacinas.

"As vacinas não significam covid zero", destacou Mike Ryan, especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS), pedindo "às pessoas que continuem a fazer esforços".

"A imunização será uma ferramenta importante e poderosa no kit de ferramentas que temos. Mas, por si só, não fará o trabalho", alertou.

Aumento de 18% de casos na AL

Com a chegada das vacinas, "começamos a ver o fim da pandemia", estimou na sexta o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, enquanto alertava que o vírus continua a exercer enorme pressão sobre os hospitais.

No Reino Unido, as autoridades sanitárias consideram "provável" uma regressão significativa da pandemia "até a primavera" graças à vacinação. Mas preparam-se primeiro para um agravamento da situação depois do Natal.

País com mais mortos pela covid na Europa (mais de 60.000), o Reino Unido tornou-se esta semana o primeiro país ocidental a autorizar uma vacina contra o novo coronavírus, dando luz verde à da Pfizer/BioNTech. As primeiras doses devem ser injetadas na próxima semana.

Foi acompanhado na sexta-feira pelo Bahrein, o segundo país do mundo a conceder essa autorização.

A pandemia de coronavírus infectou mais de 65 milhões de pessoas e matou mais de 1,5 milhão em todo o mundo.

A epidemia avança principalmente em Itália, enquanto a América Latina e o Caribe registaram um aumento de 18% nos casos numa semana.

Um total de 51 vacinas candidatas estão a ser testadas em humanos, com treze na fase final de testes, de acordo com a OMS.

Bélgica, França e Espanha planeiam lançar campanhas de vacinação em janeiro, com foco primeiro nos mais vulneráveis.

Temperaturas baixas

Com a chegada iminente dessas vacinas anti-covid, e com algumas delas a necessitar de armazenamento em temperaturas de congelamento, as empresas americanas preparam o terreno: a gigante de logística americana UPS desenvolveu arcas frigoríficas portáteis que permitem que a vacina seja armazenada entre -20 e -80°C.

A Ford encomendou os seus próprios frigoríficos para oferecer vacinas aos seus funcionários, enquanto a gigante americana da carne Smithfield está pronta para fornecer as arcas frigoríficas dos seus frigoríficos.

Resta convencer a população num contexto de desconfiança da inoculação de vacinas concebidas em tempo recorde.

Várias personalidades prometeram ser vacinadas em público para dar o exemplo, como Joe Biden e os ex-presidentes dos Estados Unidos Barack Obama, George W. Bush e Bill Clinton.

À espera destas vacinas, as confraternizações do Natal e do Ano Novo devem acelerar a propagação da epidemia.

No Brasil, os shoppings do Rio de Janeiro foram autorizados a funcionar 24 horas por dia na tentativa de evitar aglomerações nas compras de Natal. O país registou quase 700 mortes em 24 horas, elevando o número de óbitos para quase 176.000.

Entre o confinamento e o distanciamento social, os comerciantes e donos de restaurantes tiveram que ser criativos para sobreviver.

Katja Hiendlmayer, coproprietária do bar Bürkner Eck em Berlim, faz com que seus bartenders em bicicletas entreguem as suas bebidas recém-engarrafadas. "Preferimos trabalhar com poucos rendimentos a não fazer nada", explica Hiendlmayer, que também quer "preservar a atividade dos seus colaboradores".

Nos Estados Unidos, a criação de empregos sofreu um forte travão em novembro, confirmando a desaceleração do crescimento e aumentando a pressão sobre o Congresso para votar um novo plano de apoio.

Enquanto a pandemia de covid pesa sobre o crescimento e os gastos públicos, a Argentina instituiu um imposto sobre as grandes fortunas, que afeta cerca de 12.000 pessoas, para ajudar os pobres e as pequenas empresas.

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