De acordo com um estudo da APAV sobre “Violência contra as mulheres e violência doméstica em tempos de pandemia: caracterização, desafios e oportunidades no apoio à distância”, apresentado hoje, a pandemia de covid-19 “obrigou a alterações imprevisíveis e sem planeamento prévio no apoio a vítimas de violência contra as mulheres e de violência doméstica (VMVD), impondo o recurso de ferramentas de apoio à distância”.

Estas ferramentas à distância, tanto por telefone como online, em alternativa ao apoio presencial, mostraram ter um potencial que tinha sido, até então, “subvalorizado”, uma constatação que, segundo o estudo, “acarreta desafios, alguns dos quais relacionados com a preparação, treino e prática dos profissionais da Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica (RNAVVD) para a utilização do apoio à distância em todo o seu potencial”.

“É, pois, urgente reestruturar a formação técnica neste domínio, capacitando as organizações de apoio e os seus profissionais para o apoio à distância em todas as suas valências”, defendem os investigadores da Cooperativa de Ensino Superior Egas Moniz e da Universidade Fernando Pessoa.

Entendem também que “urge criar mecanismos para a avaliação dos riscos psicossociais que podem resultar do trabalho desenvolvido pelos técnicos de apoio à vítima, um risco intrínseco ao contacto com esta problemática”.

De acordo com a investigação, por causa da pandemia mais de metade das estruturas de atendimento (57,7%) onde os técnicos de apoio à vítima exercem funções suspendeu o apoio presencial, sendo que 48% delas retomou o funcionamento habitual a seguir ao período de confinamento, sendo que mais de metade (60,2%) dos profissionais de apoio passaram a trabalhar em regime de teletrabalho.

O estudo demonstrou também que o trabalho à distância e o apoio às vítimas à distância teve também efeitos nos fatores psicossociais dos profissionais, que apresentaram “níveis favoráveis para a saúde”.

No entanto, “as exigências laborais, especificamente as exigências emocionais e as exigências cognitivas são as duas categorias que exibem risco elevado para a saúde dos técnicos de apoio à vítima”.

Nesse sentido, o estudo faz um conjunto de recomendações para gerir os riscos identificados e prevenir riscos psicossociais futuros como implementar ações de sensibilização e desenvolver ações que promovam a saúde psicológica no local de trabalho.

Durante o período da pandemia, analisando apenas 2020, antes, durante e depois do período de confinamento, a APAV recebeu 7.667 pedidos de apoio, 61% dos quais relativos a casos de violência em contexto de relações de intimidade, em que 82% das vítimas eram mulheres e 90% dos agressores eram homens, e em que 89% dos casos de vítimas mulheres foram alvo de violência continuada, em média, por mais de oito anos.

“Quanto às formas de atendimento efetuadas pela APAV, mais de 70% foi realizada por contacto telefónico”, revela o estudo.

Já especificamente durante o período de confinamento, entre 22 de março e 03 de maio, a APAV recebeu 520 pedidos de ajuda por violência contra mulheres, 62,5% dos quais relativos a casos ocorridos em contexto de relações de intimidade, em que 87,5% das mulheres foram vítimas de violência doméstica.

Para fazer uma caracterização do apoio à distância, foi realizado um inquérito online, no qual participaram 196 técnicos de apoio à vítima da Rede Nacional de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica (RNAVVD), que demonstrou que o telefone foi apontado como o meio usado com mais frequência para prestar apoio às vítimas nos períodos de isolamento (43,9%) e emergência (57,1%).

“A maioria dos técnicos (82,7%) afirmou não possuir qualificação profissional em apoio à distância com vítimas de violência contra mulheres e violência doméstica”, mas mesmo assim quase metade (49,5%) descreveu o apoio à distância como uma ferramenta boa e muito útil (63,3%) para ajudar estas vítimas, nomeadamente para lidar com o isolamento, reduzir a inibição, medo ou vergonha e promover a capacitação da vítima.

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