O cancro do estômago é o único que regista uma diminuição em Portugal, uma descida que se deve a décadas de utilização do frigorífico na conservação dos alimentos, revelou a diretora do Registo Oncológico Regional do Sul (ROR Sul).

Ana Miranda falava a propósito dos dados mais recentes da incidência, sobrevivência e mortalidade por cancro, ocorridos na população residente nas regiões abrangidas pelo ROR-Sul: Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo, Algarve e Região Autónoma da Madeira.

Estes dados, referentes aos cancros diagnosticados em 2006, serão divulgados hoje nas XIX Jornadas ROR-Sul e apresentam a evolução dos principais tumores no homem e na mulher entre os anos 1998 e 2006.

Dos resultados, Ana Miranda destaca o facto de o cancro do estômago estar a “perder cada vez mais lugar de destaque”, o único em que se verifica esta diminuição de incidência.

As razões, explica-as com um maior controlo da doença, mas sobretudo com a melhoria das condições de vida.

“O cancro do estômago está relacionado com a helicobacter pylori [bactéria que infeta o estômago humano], que hoje em dia já se consegue erradicar graças a uma melhor conservação dos alimentos no frigorífico, ao contrário do que se passava antigamente quando a conservação era feita por salmoura e fumeiro”, explicou.

O frigorífico já foi inventado há décadas, mas é preciso todo este tempo para se estabelecer uma causa efeito e começar a ver os resultados, esclareceu.

É o que se passará com a vacina contra o cancro do colo do útero, que atualmente ainda não tem reflexos na redução da incidência deste tipo de tumor.

“Ainda é uma coisa muito recente. A vacinação faz-se até aos 16 anos e o tumor ocorre muito mais tarde. A repercussão vamos ver daqui a uns anos, porque esta vacinação só vai ter efeito sobre estas mulheres, já que as que são agora mais velhas não foram vacinadas”, afirmou.

Ana Miranda salvaguarda que também não se sabe “até quando esta vacina confere imunidade”.

A taxa de incidência para este cancro anda à volta (taxa alta em relação aos outros países da Europa) dos 11 por cem mil, uma taxa ainda alta em relação aos outros países europeus.

“Aqui o rastreio é altamente eficaz, conseguimos detetar lesões pré-malignas, e detetando-as o risco fica igual ao das outras mulheres”, sublinhou a responsável.

O cancro do colo do útero aumenta grandemente a incidência a partir dos 35 anos. Desta idade até aos 39 a incidência é de 55 por cem mil mulheres e dos 40 para os 45, a incidência duplica, passando para os 110 casos por cem mil mulheres.

Outro tumor em relação ao qual o rastreio é fundamental é o da mama, que continua a ser “de longe o mais importante, representando 30 por cento do total de casos de cancro na mulher”.

“Se compararmos com mortalidade, a incidência é quatro vezes mais do que a mortalidade. Temos para 600 óbitos uma incidência de 2.400 casos”.

O segundo é o do cólon, mas mesmo assim ainda muito longe do da mama, representando 11% do total, tanto no homem como na mulher.

O cancro que continua a afetar mais homens é o da próstata – 30% do total de cancros – embora este seja também o que tem uma maior taxa de sobrevivência (80%).

“Isto tem a ver com o teste PSA [Antígeno prostático específico] que permite detetar na fase inicial, um fator fundamental para a sobrevivência na maioria dos tumores”.

Entre os homens o segundo cancro com maior incidência é também o mais mortal, o do pulmão (e também o da traqueia), em relação ao qual se nota um acentuar da preponderância, afirmou.

Atualmente está a ser feita uma monitorização destes tumores, mas só daqui a uns anos é que se vai poder ver o impacto das medidas antitabagistas, já que os cigarros são a principal causa de cancro do pulmão, mas também com grande impacto numa série de outros como o da língua, da boca, do lábio, do esófago e até da bexiga.

15 de fevereiro de 2012

@Lusa

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