“Solicitamos que, com a brevidade possível, seja enviada a esta Comissão a informação disponível sobre o andamento dos trabalhos e composição do anunciado Conselho Consultivo do projeto”, lê-se no requerimento assinado deputado do Bloco de Esquerda, Pedro Soares, que é também presidente da Comissão de Ambiente, Ordenamento do território, Descentralização, Poder Local e Habitação.

No mesmo documento pode ler-se que a 26 de maio de 2016 aquela Comissão de Ambiente realizou uma audição sobre “o tema de bactérias multirresistentes detetadas no Rio Ave” que contou com a presença do presidente do Conselho diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Nuno Lacasta, e o vice-presidente da Águas do Norte, Martins Soares.

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Nessa audição, segundo recorda o Bloco de Esquerda, foi anunciado o “lançamento de um projeto de investigação sobre a bacia do Ave, liderado pela Águas do Norte em parceria com a APA”, e com a participação de várias universidades, compreendendo “um conjunto de estudos aprofundados sobre a presença de bactérias perigosas e antibióticos nos rios e nos efluentes, bem como a deteção de eventual sazonalidade”.

Na altura da notícia sobre a identificação das quatro estirpes de bactérias multirresistentes no Ave, o ministro do Ambiente garantia que estava a acompanhar a situação, para investigar as origens, mas frisava também que não havia motivos para alarmismos de saúde pública.

Em declarações à Lusa em abril de 2016, o cientista Paulo Martins Costa, um dos membros da investigação desenvolvida em parceria entre o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e a Universidade de Friburgo na Suíça, afirmou que os genes responsáveis pelas resistências das bactérias descobertas "são idênticos aos identificados em bactérias isoladas em hospitais, como, por exemplo, a 'Klebsiella pneumoniae'.

"As estirpes eram resistentes a todos os 20 antimicrobianos testados, incluindo o imipenem, um antibiótico de última linha que se usa com muita contenção e apenas quando o tratamento com outros antibióticos de primeira e segunda linha não seja eficaz", explicou à Lusa Paulo Martins Costa, médico veterinário e professor no ICBAS.

A recolha de amostras de água foi feita em seis pontos do rio Ave, desde a nascente até um troço abaixo de Santo Tirso, onde já em 2010 a mesma equipa tinha isolado uma outra estirpe (também resistente ao imipenem), portadora do mesmo gene que foi identificado na bactéria responsável por um surto de infeção no Hospital de Vila Nova de Gaia em agosto 2015 e que, segundo informou o Ministério da Saúde, colonizou um total de 103 doentes.

Para os investigadores, o impressionante neste estudo foi o isolamento simultâneo de diversas estirpes multirresistentes num pequeno volume de água (200 mililitros), recolhido num açude em Azenha Velha (Riba D'Ave), sendo legítimo extrapolar que estas perigosas bactérias estivessem presentes em grande número no caudal do rio.

Numa perspetiva mais orientada para a saúde pública, Paulo Martins indicava que não se pode esquecer que a água dos rios é utilizada para a irrigação de culturas agrícolas e para atividades de recreio.

O estudo concluiu que à medida que as recolhas de água no rio Ave se iam aproximando da foz daquele curso de água, havia "mais presença de contaminação fecal".

A Lusa pediu esclarecimentos ao Ministério do Ambiente sobre alguma novidade sobre o projeto de investigação relativamente ao tema das bactérias no rio Ave, mas não obteve nenhuma informação até ao momento.

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