A nova realidade imposta pelo surto viral de COVID-19, que confinou o mundo e obrigou milhões a terem de adotar rotinas, elevou os níveis de ansiedade e de stresse de sociedades como a nossa. O retorno ao tão apregoado novo normal que tem marcado as últimas semanas volta, agora, a exigir uma nova série de adaptações, como alerta Francisco Miranda Rodrigues, psicólogo e bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, em grande entrevista à edição de junho da revista Prevenir, já nas bancas.

"O primeiro desafio é entender que a mensagem mudou, que atravessamos uma fase diferente da luta contra a pandemia, mas que o desconforto com a situação pode, contudo, manter-se", sublinha o especialista. "Nesta fase, não estamos só dependentes das medidas dos decisores políticos, mas também, e muito mais, do comportamento de cada um. Conseguimos ultrapassar isso no início da luta a esta pandemia, com os portugueses a dar uma excelente resposta. Mas agora é mais difícil", refere o psicólogo.

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"Até porque as mensagens das autoridades podem variar em intervalos de tempo curtos, podendo parecer incoerentes", afirma o bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, apontando as possíveis consequências desta fase de transição. "Estas crises podem levar a, por exemplo, alterações do padrão de sono, a medo, tristeza ou irritabilidade", adverte Francisco Miranda Rodrigues. "O que nos preocupa é a possibilidade de existirem sequelas futuras e aqueles que terão mais dificuldade em lidar ou não aceitar a realidade. Estes últimos têm grande possibilidade de desenvolver perturbações depressivas ou agravar as que já têm", alerta.

"É fundamental entender que regressar à vida ativa é um desafio à nossa capacidade de adaptação. E, atenção, alguns de nós, sem ajuda profissional, não o vão conseguir", avisa o psicólogo. "Estamos perante uma conjuntura com impactos sociais e psicológicos fortes e a forma como a vivemos e como aprendemos a ultrapassar dificuldades, é decisiva", analisa o especialista, que deixa um aviso. "Perante nova adversidade, podemos ter de lidar com consequências mais fragilizantes", refere ainda Francisco Miranda Rodrigues.

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