A adesão à terapêutica e o apoio domiciliário são duas vertentes importantes no tratamento de doenças psiquiátricas, assim como a criação de unidades de cuidados continuados de Psiquiatria.

Quais são os principais problemas de saúde que chegam às consultas de Psiquiatria?
Os quadros depressivos e as psicoses. Existem também muitos casos de alcoolismo, quer em homens quer em mulheres, pelo que são orientados para uma consulta específica, com apoio de assistente social e psicólogo. Como hoje a esperança média de vida tem aumentado, aumenta também a incidência de problemas mentais associados à idade avançada, daí ter sido criada uma consulta diferenciada de Psiquiatria Geriátrica com apoio do serviço de Psicologia.

Quando os doentes chegam à consulta de Psiquiatria já estão num estado avançado da doença? 
A grande maioria sim.

A doença mental predomina nalguma faixa etária?
Está a verificar-se uma grande procura na faixa dos 20–40 anos, e depois acima dos 65 anos com os problemas de Psiquiatria Geriátrica.

Como vê a actual articulação entre cuidados primários e cuidados hospitalares?
É fundamental a articulação entre os cuidados hospitalares e os cuidados primários de saúde, o apoio dos médicos de proximidade aos psiquiatras, porque é aqui a porta de entrada da maioria dos doentes, nomeadamente das psicoses com evolução para a cronicidade. No HSA temos o apoio domiciliário a muitos doentes psicóticos que necessitam de fazer regularmente a terapêutica injectável e, em articulação com os profissionais dos centros de saúde, muitos deles a fazem naquelas unidades com a nossa monitorização.

O que pensa da actual reestruturação dos serviços de saúde mental?
É importante a desinstitucionalização dos doentes mentais com o apoio de equipas comunitárias, mas sempre tendo em conta os casos sociais, sem qualquer apoio sociofamiliar, assim como a psicoeducação do doente e dos seus familiares. No HSA temos uma equipa de enfermagem (enfermeiro, assistente social e, eventualmente, médico) que se desloca ao domicílio dos doentes para administrar o neuroléptico de acção prolongada e verificar o seu estado de saúde mental, bem como a sua inserção-integração sociofamiliar.

O que pensa da criação de unidades de cuidados continuados nesta área?
A criação de unidades de cuidados continuados de psiquiatria será importante na medida em que grande parte dos doentes necessita de tratamento prolongado, sem condições de seguimento em ambulatório, pelo que tornará mais facilitado o internamento hospitalar para doentes agudos.

Quais são as novas terapias e as novas abordagens em Psiquiatria?
Para além da grande importância da intervenção psicofarmacológica, a complementaridade com psicoterapias individuais ou em grupo é sempre uma mais-valia. No nosso serviço temos a experiência da música em ambiente hospitalar, quer na unidade de agudos, quer na unidade de crónicos, que tem favorecido a reabilitação clínica dos doentes e a sua assertividade social.

 2010-07-08

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