A reconstituição dos últimos meses de vida de uma pessoa permitiria perceber se se suicidou e porquê, mas essa metodologia não é usada por razões económicas e Portugal mantém-se no topo dos países com mais mortes por causas indeterminadas.

Para o coordenador do Programa Nacional para a Saúde Mental, Álvaro de Carvalho, a “autópsia psicológica” é uma investigação fiável para entender as causas de morte de uma pessoa, mas que “não tem sido desenvolvido em Portugal por razões económicas”.

Esta “metodologia científica é a mais segura” e consiste em reconstituir a vida de uma pessoa nos seus últimos meses de vida, para tentar perceber os passos que deu e como é que deu.

Para tal, um conjunto de profissionais, que inclui psiquiatras e psicólogos, tem de falar com familiares, vizinhos da vítima, ir aos últimos sítios que frequentou e tentar traçar o seu perfil psicológico e emocional antes de morrer.

“É como encontrar e abrir a caixa negra de um avião”, diz Álvaro de Carvalho, referindo que este instrumento já é usado em vários outros países, com sucesso.

Contudo mostra-se pouco convicto de que possa vir a ser aplicado em Portugal, devido aos custos que implica, mas não tem dúvidas de que seria um instrumento fundamental para reduzir as mortes por causa indeterminada, um dos objetivos traçados no programa nacional para a saúde mental.

“Somos dos países da Europa com maior número de mortes por causa não identificada”, afirmou, defendendo a importância de descobrir os motivos, até para conseguir uma contabilização mais exata do número de suicídios.

Álvaro de Carvalho tem como objetivo conseguir garantir que os certificados de óbito passem a ter causas de morte credíveis, reduzindo o número de casos desconhecidos.

Até lá, o responsável rejeita fazer associações entre a crise e um possível aumento de suicídios, alegando tratar-se de especulação.

“Todas as contas são inseguras. Não temos indicadores objetivos que nos permitam fazer essa identificação com segurança”, disse.

No entanto, o coordenador do programa lembra que, nos países menos desenvolvidos, a situação de crise inevitavelmente aumenta sempre o alcoolismo e o suicídio.

11 de abril de 2012

@Lusa

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