“Temos de deixar de acreditar nesta falácia e que é possível regressar ao passado. A restruturação da rede de urgências é absolutamente inevitável. Temos de nos preparar para o cenário em que o acordo não aconteça e preparar-nos para reorganizar o sistema, nomeadamente as urgências, com as horas que temos e não com as horas que gostaríamos de ter”, disse Xavier Barreto em declarações à margem da conferência “Economia e Gestão – Capacitação/Inovação e PRR” que decorre na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP).

“O que faz sentido é olhar para os recursos que temos e reestruturar esses recursos. Isso poderá implicar concentração de serviços, poderá implicar a concentração de resposta em áreas metropolitanas e em algumas regiões. É um processo inevitável. Se concluirmos que numa determinada região não temos horas de uma determinada especialidade para assegurar o funcionamento de seis urgências, então fará muito mais sentido que se garanta o funcionamento não de seis, mas de três ou quatro em pleno, garantindo uma rede de transportes, garantindo reencaminhamento”, defendeu.

Xavier Barreto – que partilha a sessão da conferência com o diretor-executivo do Serviço Nacional de Saúde (SNS), Fernando Araújo, que não quis falar aos jornalistas – disse que tendo em conta “o histórico da negociação entre Governo e sindicatos e a ausência de condições políticas”, as expectativas atuais para um acordo “são baixas”.

“E temos de nos preparar para um mês de dezembro e para 2024 sem estas horas extraordinárias, reorganizando o nosso sistema de saúde e em concreto a rede de urgências com as horas que temos e não com aquelas que tínhamos no passado ou com aquelas que desejaríamos”, disse.

Para o presidente da APAH "é claro que não se pode correr o risco de começar a gastar o ‘plafond’ [de horas extra], esgotando-o a meio do ano e colocando novamente o sistema de saúde nesta situação”.

“Não podemos correr o risco de a meio do próximo ano estarmos nesta situação. Temos de fazer as contas aos médicos que temos, às horas que temos, sejam normais, sejam extraordinárias, e reestruturar a rede de urgências em função destes números, garantindo que disponibilizamos serviços críticos aos nossos doentes, nomadamente Vias Verdes”, referiu.

Em resposta a uma pergunta de um jornalista que apontava para o fecho de seis Vias Verdes, Xavier Barreto respondeu que o encerramento desses mecanismos “é absolutamente inaceitável”.

Reiterando que preferia que viesse a existir um acordo, mas também que mesmo com acordo há médicos que “de forma legítima” recusam fazer mais do que 150 horas, o presidente da APAH frisou a ideia de que “o sistema tem de se adaptar a essa circunstância”.

“É um trabalho difícil até pelo período em que estamos, período pré-eleitoral com pressões políticas particularmente por parte dos Municípios, mas temos de nos render às circunstâncias e temos de oferecer aos nossos doentes o melhor que temos e podemos com os recursos humanos que estão disponíveis”, concluiu.

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