A mulher necessita de alguns cuidados e preocupações adicionais, quando comparado com o homem, no que respeita à prática de exercício físico.

Estes devem-se à menstruação cíclica, que faz revelar diversas manifestações fisiológicas.

O ciclo menstrual pode ser dividido em 3 fases:

- Fase folicular - Nesta fase dá-se o desenvolvimento inicial e maturação dos folículos ováricos. Estes aumentam a produção de estrogénios (hormonas) à medida que se desenvolvem.

- Fase ovulatória - O nível de estrogénios anteriormente aumentado leva a um pico de hormona luteinizante que conduzirá à ruptura do folículo e libertação do óvulo.

- Fase luteínica - O folículo permanece no ovário transformando-se num corpo lúteo, que é uma pequena glândula que além de libertar estrogénio liberta também progesterona diminuindo a segregação da hormona luteinizante, iniciando se assim a hemorragia menstrual através da diminuição da concentração de estrogénio e progesterona no sangue devido à acção do eixo hipotálamo-hipófise-ovário, iniciando-se assim um novo ciclo menstrual.

Os ciclos menstruais têm a duração média de 28 dias podendo ter um intervalo entre os 24 e os 35 dias de duração. O ciclo tem início no dia em que aparece a hemorragia menstrual e cessa no dia imediatamente antes da hemorragia aparecer.

Conheça algumas considerações que a mulher deve ter nas suas práticas quotidianas de exercício físico. Atenção à intensidade e quantidade!
Sabia que exercício físico em excesso, ou praticado com intensidades elevadas por períodos prolongados, pode afectar a saúde menstrual da mulher?

Mulheres que pratiquem exercício de uma forma muito intensa podem desenvolver um síndrome, que se denomina Tríade da Mulher Atleta. Este caracteriza-se sobre a presença de três condições:

– Desordens alimentares: anorexia atlética
Anorexia atlética é um distúrbio alimentar subclínico específico da população atlética. Esta condição pode desenvolver-se também em mulheres não atletas que façam restrições alimentares com o objectivo de perder peso. Os desportos em que a magreza, estética ou categorias de peso são factores de sucesso constituem um maior risco de desenvolvimento desta condição.

– Disfunções menstruais: amenorreia
Amenorreia é a ausência de período menstrual e pode ser primária ou secundária: a primária pode significar a ausência aos 14 anos na ausência de crescimento ou manifestação de caracteres secundários ou ausência aos 16 anos apesar de normal crescimento e manifestação de caracteres sexuais secundários; a secundária é a ausência durante 3 meses em mulheres com ciclos previamente normais e durante 6 meses nas mulheres com ciclos irregulares.

– Osteoporose: fracturas ósseas por osteoporose/osteopénia
Osteoporose é uma doença metabólica que leva à diminuição da densidade mineral óssea aumentando a susceptibilidade a fracturas.

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Sabia que, em muitos dos casos, a alimentação está na origem deste síndrome?

Devido à diminuição da disponibilidade energética e ao aumento do respectivo consumo, isto leva à diminuição da hormona luteínizante que é responsável pela normal secreção de estrogénio e progesterona, alterando assim a regularidade do ciclo.

O que pode acontecer?

Se esta situação se verificar durante períodos de tempo prolongados provocará alterações menstruais, nomeadamente na sua estrutura temporal (i.e. amenorreia). Estas irregularidades menstruais vão provocar alterações ao nível da concentração de estrogénio que circula no sangue. Esta hormona é de grande importância porque aumenta a eficiência da absorção de cálcio a nível intestinal, e este é um mineral importante para a renovação óssea mas também para os processos de contracção muscular.

Quando a mulher é fisicamente mais activa, apresenta uma necessidade maior de cálcio. E caso a absorção do mesmo esteja diminuída, levará o organismo a obter o cálcio necessário retirando-o dos ossos, e por sua vez provocando assim a diminuição da densidade mineral óssea que origina a Osteoporose e as possíveis fracturas por fadiga.

O que deve a mulher fazer caso que lhe seja diagnosticada uma destas condições?

– Parar de imediato o plano de exercício físico que executa;

– Considerar a sua alimentação, aumentando a ingestão calórica com alimentos ricos em cálcio;

– E aconselhar-se medicamente para que a situação não progrida para uma mais severa.

Sabia que as mulheres tendem a ser mais flexíveis em determinada fase do ciclo menstrual?

Na fase luteínica (2 ultimas semanas do ciclo), as articulações tendem a apresentar uma flexibilidade adicional, resultado do ambiente hormonal (níveis elevados de estrogénio e relaxina) que a mulher vivência nessa fase. Isto explica-se pela maior laxidão ligamentar presente nas articulações.
Nesta fase, as mulheres têm um risco acrescido de lesões articulares (e.g. rotura do ligamento cruzado anterior do joelho). Esse risco é explicado parcialmente pela instabilidade articular proporcionada.

Precauções:

- Evitar exercícios de elevadas amplitudes e stress articular;
- Contemplar exercícios que estimulem o trabalho de propriocepção e reforço muscular para diminuir essa mesma instabilidade;

- Consultarem especialistas em exercício físico, com formação certificada, que avaliem o nível de estabilidade articular;

Este aspectos devem ser levados em conta, pois determinados exercícios podem provocar lesões graves.

A utilização de métodos contraceptivos femininos, obriga a considerar a prática de exercício físico?

Por norma, não. A contracepção hormonal, mais conhecida como a “pílula”, até apresenta algumas vantagens para as mulheres que realizam exercício físico com regularidade pois diminui o fluxo da hemorragia e diminui as cólicas menstruais, diminuindo o incómodo. Atenua os efeitos da menstruação devido à compensação hormonal que é feita.

Deve-se parar de fazer exercício físico quando ocorre a menstruação?

De uma forma geral, não. Em termos fisiológicos não há nada que impeça a mulher de realizar exercício durante a menstruação.
Durante esta fase a mulher terá de ter em atenção à quantidade da hemorragia para não provocar anemia e às dores menstruais que podem causar algum desconforto durante o treino. Contudo este problema pode ser atenuado com a utilização da contracepção hormonal como referido acima.

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